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Desaquecer o planeta, aquecendo a economia

10 de Junho de 2014 às 21:48
por Sérgio Xavier

Equação do Século 21: Como reverter o aquecimento global, garantir crescimento econômico sustentável e melhorar a vida de todos?




 Nos últimos 800.000 anos, a concentração de Carbono (CO2 ) na atmosfera variou de 180 a 280 partes por milhão (ppm). Esta concentração, provocada pela queima de combustíveis fósseis, reflete na temperatura da Terra e provoca as temidas mudanças climáticas.

Cientistas consideram 450 ppm o limite para evitar que o calor aumente além de 2 °C. Acima disso, o aquecimento terá repercussões imprevisíveis para a existência humana. Num cenário de elevação de 3,5 °C é prevista a extinção de até 70% das espécies atuais.

Em 2013 esta concentração ultrapassou 400 ppm e acendeu uma luz vermelha sobre o futuro.

Para conter o aquecimento e evitar grandes desastres naturais (como secas prolongadas, derretimento de geleiras, elevação do nível do mar e chuvas extremas), o mundo precisa reduzir urgentemente a emissão de gases (como CO2 e Metano) que provocam o efeito estufa, ao formar uma camada na atmosfera que prende na Terra o calor do Sol.

Manter o clima parecido com o atual, exige reduzir até 2050 mais de 40% das emissões de gases totalizadas em 2010. Um desafio dramático e complexo.

Com a economia baseada em combustíveis fósseis (Carvão, Petróleo e Gás), que movem indústrias, carros, aviões, navios, produção agrícola e cidades, os países e empresas que lideram este modelo não abrem mão dos seus interesses. Colocam em risco a vida de gerações futuras e deixam a humanidade vulnerável ao caos climático, que já está abalando a economia e matando milhares de pessoas todos os anos.

A ONU contabilizou só em 2011 mais de 300 desastres naturais, que mataram 29.782 pessoas no mundo e provocaram US$ 366 bilhões de prejuízos. No Brasil, ocorreram 900 mortes.
Segundo o IBGE, entre 2008 e 2012, mais de 40% das cidades brasileiras (2.270) sofreram pelo menos um desastre ambiental, por falta de planejamento e prevenção.

SustentOportunidades

A saída é a equalização planejada da economia e o planejamento criterioso da ocupação do solo, transferindo populações das áreas de riscos.

Equalizar a economia significa reduzir o que está em excesso (emissão de gases-estufa e poluentes) e aumentar o que está em falta (processos ecoeficientes, baseados em energias limpas e reciclagem). Ou seja, diminuir de forma programada o PIB poluidor e multiplicar com incentivos o PIB sustentável. Reduzir o consumo ruim e aumentar o consumo saudável, tornando o planeta mais adequado para a vida e fazendo a economia crescer com estabilidade.

Para fazer isso sem desemprego e falências, urge incentivar a migração pactuada de empregos e investimentos da velha economia para os novos eixos da economia verde, incluindo planos de requalificação profissional.

No caminho da sustentabilidade, podemos antecipar os setores em ascensão na nova economia de baixo carbono e preparar o Brasil para despontar nos novos horizontes mundiais, com inovação, capacitação e políticas públicas interligadas.

Um leque de possibilidades abre-se na emergente e urgente economia de baixo carbono: energias renováveis (solar, eólica, biomassa, hidrelétrica, marinha, geotérmica); reciclagem; ecoeficiência tecnológica, energética e hídrica; pagamentos por serviços ambientais; arquitetura e urbanismo verde; economia criativa; cidades ecointeligentes; redes colaborativas; digitalização e desburocratização; mobilidade elétrica e compartilhada; agroecologia etc

Acredito que o mundo andará nesta direção, respeitando os limites da Terra. Racionalidade, cooperação e visão de futuro vão superar ganância, egoísmo e lucro imediatista.

Sérgio Xavier – Ex-secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

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