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Não há futuro sem empresas sustentáveis

06 de Novembro de 2014 às 10:51 em
por Sérgio Xavier

 Para conter o aquecimento global em no máximo 2º C e evitar trágicos efeitos das mudanças climáticas (secas prolongadas, derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, chuvas extremas), até 2050, o mundo precisa reduzir 70% das emissões de gases de efeito-estufa, gerados por desmatamentos e pela queima de combustíveis fósseis. Esta é a principal conclusão do último relatório do Painel sobre Mudanças Climáticas da ONU, divulgado domingo (2/11).

Mais de 800 cientistas responsáveis pelos estudos alertam que os danos causados pela elevação da temperatura da Terra poderão ser irreversíveis, mas também apontam as providências urgentes para evitá-los. E todas passam pela Economia!

A saída é reduzir rapidamente a queima de carvão e petróleo e aumentar o uso de fontes energéticas renováveis (biocombustíveis, solar, eólica, hidrelétrica, marinha, geotérmica). Reequilibrar os processos econômicos: diminuindo urgentemente o que está em excesso (emissão de gases-estufa e poluentes) e aumentando em larga escala o que está em falta (processos ecoeficientes, baseados em energias limpas e reciclagem).

Ou seja, reduzir de forma transparente e programada o PIB poluidor e multiplicar com incentivos o PIB sustentável, garantindo que o PIB Global seja limpo, mas crescente, gerando empregos, incluindo mais pessoas e reduzindo desigualdades. Em síntese: eliminar o consumo ruim e aumentar o consumo saudável, tornando o planeta mais adequado para a vida e fazendo a economia crescer com estabilidade.

Nesse contexto, os governos têm o papel estratégico de formular politicas públicas nacionais e globais e inovar com planejamento sistêmico. Mas a mudança real dependerá da capacidade de inovação e gestão de grandes e pequenas empresas. São elas que respondem por 60% do PIB Mundial e por mais da metade dos empregos.

Além disso, são as grandes empresas que mais difundem publicidade (criando e direcionando comportamentos consumistas), determinando os rumos da economia e influenciando decisivamente na política. São as empresas também que dispõem de alta capacidade e agilidade para inventar, qualificar e transformar positivamente o ambiente social, oferecendo soluções viáveis e em curto prazo.

Muitos podem achar que tornar as empresas sustentáveis resultará em menos lucro e mais sacrifícios. Enganam-se. Ao contrário. Uma empresa sustentável precisa ser altamente lucrativa, mas não apenas no âmbito do dinheiro. Precisa ter nova visão estratégica para obter lucro e sustentabilidade em quatro tipos de capital: Financeiro (ter gastos menores que receitas e garantir novos investimentos), Humano (trabalhadores evoluindo e melhorando de vida continuamente), Social (comunidades beneficiadas com o crescimento e o sucesso da empresa) e Ambiental (uso de matéria prima, água e energia de forma circular, sem reduzir a oferta para o futuro).

Esse, inclusive, foi um dos temas que abordamos no PERNAMBUCO NO CLIMA 2014, encontro internacional realizado esta semana, no Recife - juntamente com o Congresso Nacional de Meteorologia -, reunindo especialistas de diversas áreas para formular uma economia de baixa emissão de carbono.

Para atingir essa lucratividade plena – Financeira, Humana, Social e Ambiental - as empresas precisarão do apoio de políticas públicas transversais, legislação inovadora, programas de capacitação e amplo acesso a conhecimento, tecnologias e financiamento.

Mas só um combustível será capaz de mover a humanidade na construção de uma civilização sustentável. Um combustível que nos faz evoluir e nos tornar melhores desde os primórdios; que pode ser produzido em qualquer lugar, dependendo apenas da vontade humana; que é renovável e o único que, aplicado hoje, poderá garantir a existência de muitas gerações que estão por vir: a Ética!

Sérgio Xavier
Ex-secretário de Meio Ambiente e
Sustentabilidade de Pernambuco

Artigo publicado no Diário de Pernambuco - 06-NOV-2014

NÃO VAMOS DESUNIR O BRASIL!!

27 de Outubro de 2014 às 04:05 em
por Sérgio Xavier

É fundamental que, depois destas eleições tão acirradas, as tensões sejam desarmadas e prevaleça a democracia e o diálogo.
Dilma venceu com minoria dos votos, apenas 54,5 milhões de um total de 142,2 milhões de eleitores, ou seja, cerca de 38% do total de eleitores aptos a votar. Isso exigirá dela grande esforço no sentido de conquistar apoio de 87,7 milhões de cidadãos e cidadãs que não votaram no PT. Não é pouco. Por isso, de forma consciente, Dilma destacou no seu discurso de vitória que sua prioridade será o diálogo e a união do País.

Para isso ela vai precisar do apoio dos militantes petistas que teimam em agredir os eleitores que optaram por outras candidaturas. As lideranças mais preparadas do PT terão que orientar bem sua militância para não criar um clima negativo contra o governo reeleito. Quem votou em Dilma tem a obrigação de ajudar a manter um clima favorável à governabilidade. A eleição terminou, agora o Brasil precisa andar na paz, fortalecendo nossa jovem democracia. 

Para Marina Silva, “É fundamental que, depois destas eleições, se tenha uma postura de unir o Brasil, de não permitir que nosso país seja dividido entre Norte e Nordeste, entre Sul e Sudeste, que o Brasil continue sendo o país da diversidade social, cultural e econômica”.
Mais: http://bit.ly/1tzHL42

NÃO VAMOS DESUNIR O BRASIL!

Sérgio Xavier

Sonho é como grão. Morre e ressuscita do chão

18 de Agosto de 2014 às 19:43 em
por Sérgio Xavier

Foto: Osvaldo Santos Zoom
Eduardo Campos e Sérgio Xavier em reflorestamento de Mata Atlântica no Porto de Suape (2012)
 

 
Eduardo, o que plantamos juntos, florescerá.
Seguiremos com os seus sonhos! Fica com Deus!

Desaquecer o planeta, aquecendo a economia

10 de Junho de 2014 às 21:48 em
por Sérgio Xavier

Equação do Século 21: Como reverter o aquecimento global, garantir crescimento econômico sustentável e melhorar a vida de todos?




 Nos últimos 800.000 anos, a concentração de Carbono (CO2 ) na atmosfera variou de 180 a 280 partes por milhão (ppm). Esta concentração, provocada pela queima de combustíveis fósseis, reflete na temperatura da Terra e provoca as temidas mudanças climáticas.

Cientistas consideram 450 ppm o limite para evitar que o calor aumente além de 2 °C. Acima disso, o aquecimento terá repercussões imprevisíveis para a existência humana. Num cenário de elevação de 3,5 °C é prevista a extinção de até 70% das espécies atuais.

Em 2013 esta concentração ultrapassou 400 ppm e acendeu uma luz vermelha sobre o futuro.

Para conter o aquecimento e evitar grandes desastres naturais (como secas prolongadas, derretimento de geleiras, elevação do nível do mar e chuvas extremas), o mundo precisa reduzir urgentemente a emissão de gases (como CO2 e Metano) que provocam o efeito estufa, ao formar uma camada na atmosfera que prende na Terra o calor do Sol.

Manter o clima parecido com o atual, exige reduzir até 2050 mais de 40% das emissões de gases totalizadas em 2010. Um desafio dramático e complexo.

Com a economia baseada em combustíveis fósseis (Carvão, Petróleo e Gás), que movem indústrias, carros, aviões, navios, produção agrícola e cidades, os países e empresas que lideram este modelo não abrem mão dos seus interesses. Colocam em risco a vida de gerações futuras e deixam a humanidade vulnerável ao caos climático, que já está abalando a economia e matando milhares de pessoas todos os anos.

A ONU contabilizou só em 2011 mais de 300 desastres naturais, que mataram 29.782 pessoas no mundo e provocaram US$ 366 bilhões de prejuízos. No Brasil, ocorreram 900 mortes.
Segundo o IBGE, entre 2008 e 2012, mais de 40% das cidades brasileiras (2.270) sofreram pelo menos um desastre ambiental, por falta de planejamento e prevenção.

SustentOportunidades

A saída é a equalização planejada da economia e o planejamento criterioso da ocupação do solo, transferindo populações das áreas de riscos.

Equalizar a economia significa reduzir o que está em excesso (emissão de gases-estufa e poluentes) e aumentar o que está em falta (processos ecoeficientes, baseados em energias limpas e reciclagem). Ou seja, diminuir de forma programada o PIB poluidor e multiplicar com incentivos o PIB sustentável. Reduzir o consumo ruim e aumentar o consumo saudável, tornando o planeta mais adequado para a vida e fazendo a economia crescer com estabilidade.

Para fazer isso sem desemprego e falências, urge incentivar a migração pactuada de empregos e investimentos da velha economia para os novos eixos da economia verde, incluindo planos de requalificação profissional.

No caminho da sustentabilidade, podemos antecipar os setores em ascensão na nova economia de baixo carbono e preparar o Brasil para despontar nos novos horizontes mundiais, com inovação, capacitação e políticas públicas interligadas.

Um leque de possibilidades abre-se na emergente e urgente economia de baixo carbono: energias renováveis (solar, eólica, biomassa, hidrelétrica, marinha, geotérmica); reciclagem; ecoeficiência tecnológica, energética e hídrica; pagamentos por serviços ambientais; arquitetura e urbanismo verde; economia criativa; cidades ecointeligentes; redes colaborativas; digitalização e desburocratização; mobilidade elétrica e compartilhada; agroecologia etc

Acredito que o mundo andará nesta direção, respeitando os limites da Terra. Racionalidade, cooperação e visão de futuro vão superar ganância, egoísmo e lucro imediatista.

Sérgio Xavier – Ex-secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

#OcupeEstelita É OPORTUNIDADE PARA #ReinventeRecife

03 de Junho de 2014 às 13:38 em
por Sérgio Xavier

 O criativo e instigante movimento #OcupeEstelita criou uma grande oportunidade para o Recife discutir sua reinvenção. O estresse nosso de cada dia, provocado pela expansão urbana sem controle demostra que já tinha passado a hora de reinventar a cidade... Demorou... Mas tá em tempo de repensar os velhos modelos e inovar, com interatividade, diversidade e sustentabilidade.

O Cais José Estelita pode ser um grande ponto de inflexão para um novo tipo de cidade: mesclada, sem muros, solidária, inclusiva, ativa e com uma identidade histórica e cultural integralmente nossa! Ou seja, um verdadeiro "Novo Recife"!

Com a suspensão da demolição dos armazéns e a institucionalização do debate o prefeito Geraldo Julio dá um passo fundamental para o replanejamento colaborativo e criativo da cidade. Abre canais de comunicação para fazer fluir a inteligência coletiva em busca do Recife que faremos agora para oferecermos às próximas gerações.

E novos conceitos irreversíveis vão emergir desse processo. (Como esses, a seguir, que apresentei no artigo "Rede Social nas Ruas" - Folha de Pernambuco 20/6/2013 - http://bit.ly/1jPqgn2 ou http://bit.ly/S5bAtu ).

Cidade Móvel – Serviços, educação, lazer, comércio e empregos aproximando-se do cidadão, movendo-se para a periferia, e espalhando-se pela cidade, com uso de novas tecnologias, para reduzir necessidade de deslocamento e perda de tempo.

Cidade Mesclada – Planejar prédios de luxo, médios e populares lado a lado, no mesmo bairro, evitando grandes deslocamentos para trabalhadores e estudantes, criando mais segurança com o convívio sem barreiras, quebrando preconceitos e acabando com as zonas exclusivas de riqueza ou de pobreza. Pensar "E" para incluir em vez de "OU" para excluir.

Cidade Compartilhada – Sair do ‘ter’ para o ‘usar’ de forma inteligente e eficiente, com uso compartilhado de equipamentos públicos, bicicletas, cadeiras de rodas, carros, taxis etc, usando tecnologias digitais.

Cidade Integral - pensar regiões metropolitanas como um todo, com visão sistêmica, buscando equalizações, equilíbrios e o fim das desigualdades e concentrações. Projetos fragmentados sem planejamento integrado gera cidades "franksteinianas".

Para avançarmos nesse caminho, o poder público deve articular canais de participação democrática para definir coletivamente o modelo de cidade que deve ser construído pelas empresas e não o inverso, impedindo de forma ativa que interesses privados de poucos determinem os rumos de toda a cidade.

Depois do #OcupeEstelita proponho saltarmos para o #ReinventeRecife ou #ReinventeSuaCidade sonhando, pensando, estudando e formulando juntos a cidade que queremos construir daqui pra frente.


http://www2.recife.pe.gov.br/pcr-suspende-alvara-de-demolicao-dos-armazens-do-cais-jose-estelita/

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