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Prestando contas com o futuro

05 de Abril de 2014 às 11:38 em Posts
por Sérgio Xavier

Foto: Osvaldo Santos Zoom
Sérgio Xavier, Marina e Silva e Eduardo Campos: aliança pela sustentabilidade

Sérgio Xavier (PV-REDE) – Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (de 2011 até 4-4-2014)

 

 
Uma sociedade justa e sustentável precisa ter um Piso Social – linha mínima de qualidade de vida e direitos para todos - e um Teto Ambiental – limite para assegurar preservação e resiliência dos ecossistemas naturais e da biodiversidade. Para garantir piso e teto é fundamental uma nova economia que inclua todas as pessoas e que cresça promovendo o uso circular dos recursos naturais: reciclando água e matéria prima, conservando o solo, priorizando energia renovável e reduzindo poluentes que causam as mudanças climáticas.

Construir uma civilização sustentável é garantir que a capacidade de autorregeneração social, ambiental e econômica não seja ultrapassada. Exige tri-resiliência, ou seja, resiliência simultânea nestes três pilares da sustentabilidade.

Para aplicar esses conceitos na vida real, há três anos, iniciamos a implantação da inovadora Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco – Semas, após aliança programática PV-PSB. Incorporando visão ecológica à sua gestão, o governador Eduardo Campos nos convidou para criar a nova estrutura e assumiu compromisso público com 15 metas socioambientais que apresentamos (registradas na imprensa em 15/01/2011 e cumpridas fielmente).

Os resultados obtidos mostram que Pernambuco ganhou com essa aliança. E o Brasil também. Com realizações inéditas no rumo da sustentabilidade, criamos as bases para aproximar Eduardo Campos e Marina Silva, estabelecendo a união PSB-REDE, injetando inventividade e renovação na política brasileira.

Ao concluir o trabalho no governo, nesta sexta (4/4), volto às minhas atividades profissionais e à militância ecológica, como sempre fiz, sem ocupar cargo público. Retomo o ativismo cidadão, atuando na campanha nacional de Eduardo e Marina. O novo governador João Lyra (PSB) já expressou o compromisso de continuar e aprimorar as políticas em curso e contará com todo o nosso apoio, com PV e REDE juntos. No meu lugar, assume Carlos André Cavalcanti (PV-REDE), reconhecido ambientalista, que me acompanhou com muita competência e lealdade nos 3 anos da nossa gestão.  

Neste curto período, alcançamos números muito positivos e vários recordes históricos, frutos de parcerias e trabalho em equipe da Semas, CPRH, Parque Dois Irmãos e muitas áreas do governo, com ecopolíticas transversais.

Entre as principais conquistas está o aumento de 385% na área de proteção da Caatinga e Mata Atlântica - até 2010 não tínhamos sequer uma reserva estadual na Caatinga. Agora, as áreas de preservação integral, rigorosa, da Mata Atlântica e Caatinga ultrapassam 34 mil hectares e devem atingir 104 mil até o final do ano, com os projetos em andamento. Proteger a Caatinga é fundamental diante das mudanças climáticas que projetam mais seca e aumento de temperatura no nosso já inóspito semiárido.

Em 2012, criamos a maior reserva estadual de Mata Atlântica, Bita e Utinga (em Suape), com cerca de 2.500 hectares, além de novas áreas de conservação em Timbaúba, Macaparana, Vicência, São Vicente Ferrer e Recife, com a triplicação da área protegida do Parque Dois Irmãos, cujo zoológico está sendo modernizado.

Para garantir a implementação das novas políticas formuladas pela Semas, o orçamento ambiental foi quadruplicado. Saltou de R$ 256 milhões - de 2007 a 2010 - para mais de R$ 1 bilhão de 2011 a 2014. Em 2013, captamos mais de R$ 200 milhões de compensação ambiental, zerando as pendências de todas as empresas.

Aumentamos, ainda, o quadro de servidores da Semas, CPRH e Parque Dois Irmãos (de cerca de 420 para 700) e assim foi possível elaborar com equipes próprias o Plano Estadual de Mudanças Climáticas; o Plano Estadual de Resíduos Sólidos e o Plano Noronha Carbono-Neutro que está transformando a ilha de Fernando de Noronha no primeiro território a compensar plenamente as emissões de gases de efeito estufa.

Realizamos parceria com mais de 50 prefeituras para municipalização das políticas e ações ambientais. Um bom exemplo é o plano de engordamento das praias para conter o avanço do mar. Obra já realizada em Jaboatão, recompondo 5 km de praias, e projetos executivos de Recife, Olinda e Paulista já entregues aos prefeitos. A Semas também está apoiando as prefeituras e concluindo planos locais de gestão de resíduos sólidos para 153 municípios que não conseguiram cumprir sozinhos suas obrigações com a lei nacional.

O governo avançou fortemente na reversão dos passivos ambientais de 30 anos de Suape, com preservação de 9.600 hectares de Mata Atlântica, Restinga e Mangue, incluindo o reflorestamento de 972 hectares, com plantio de mais de 1,4 milhão de árvores nativas. Um dos maiores projetos de regeneração de áreas verdes em zonas portuárias do mundo.

Cuidando das águas, o governo iniciou a recuperação dos rios Capibaribe, Beberibe, Una e Ipojuca, que serão despoluídos em poucos anos, com as obras de dragagem de lixo, navegabilidade e saneamento já em andamento (a PPP da Compesa vai universalizar a coleta e tratamento de esgoto em 15 municípios da Região Metropolitana).

Para garantir o controle social e a interação com todos os segmentos da sociedade o Conselho Estadual de Meio Ambiente – Consema foi fortalecido com criação de Câmaras Temáticas e transmissões via internet, dando mais transparência a todos os processos.

Pernambuco, que já se consolidou como polo de energia eólica (com cadeia completa de fabricação de equipamentos em Suape), também inovou com projetos de energia solar. Em 2013 realizou leilão de usinas solares, contratando a produção de 122 MW, atraindo investimentos de R$ 600 milhões. Até 2015 nosso Estado será o maior gerador de energia solar do Brasil, com capacidade instalada três vezes maior que toda a soma nacional.

Em sintonia com inovações, lançamos projetos pioneiros no Brasil de uso compartilhado de veículos elétricos (carros e bicicletas, em Recife e Fernando de Noronha - em parceria com Porto Digital, Serttel, Shineray e Xindayang Group, da China); Sistema de informações ambientais geo-referenciadas na internet – Sig-Caburé e o Polo Ambiental de Pernambuco, projeto de edifícios verdes que vão sediar os órgãos ambientais do estado e do Recife.

Construir um modelo de desenvolvimento sustentável é o maior desafio do século 21. O trabalho apenas começou. Agradeço ao governador, aos colegas do governo e a todos que contribuíram com estes avanços. Agora, novos passos precisam ser dados no rumo da sustentabilidade. Estamos firmes nesse caminho.

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Veja apresentação detalhada no link: http://bit.ly/POHOby ;

Entrevista à Revista NE Business: "Como a Sustentabilidade pode alavancar a economia"

10 de Fevereiro de 2014 às 11:59 em Posts
por Sérgio Xavier

Zoom
Veja a íntegra da Revista em: http://issuu.com/exclusivabr/docs/revista_nebusiness3

 

Revolucionário da natureza / Nature revolutionary

Sergio Xavier conta como as ações sustentáveis podem caminhar de mãos dadas com o desenvolvimento e, junto com a política, melhorar a vida dos brasileiros


Sergio Xavier tells how sustainable initiatives can go hand in hand with development and, along with politics, improve the lives of Brazilians

 

 

 


Veja a íntegra em Português e Inglês no link: http://issuu.com/exclusivabr/docs/revista_nebusiness3

por/by Gilberto Tenório

 

O crescimento econômico de Pernambuco tem sido destaque
há quase uma década. Indústrias dos mais diversos
segmentos transformaram a cara do Estado, mudando
a vida de milhões de pessoas e influenciando as relações
sociais. Diante de tamanha pujança, os desafios para democratizar
essa prosperidade e fomentá-la de uma maneira
sustentável são muitos. Um dos responsáveis por tentar
equalizar esses universos aparentemente distintos é o secretário
de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado,
Sergio Xavier. Jornalista, ecologista e empreendedor da área
de comunicação digital, Xavier foi um dos fundadores do
Partido Verde no Brasil e em Pernambuco.
Após ocupar cargos executivos no Ministério do Meio
Ambiente e da Cultura, no primeiro Governo Lula, com o ministro
Gilberto Gil, concorreu, em 2010, ao Governo do Estado
— atingindo o terceiro lugar entre sete candidatos. Com o
fim do pleito, teve seu nome e principalmente suas ideias conhecidas.
Em março de 2011, no início da segunda gestão do
governador Eduardo Campos, Sergio foi convidado a assumir
a recém-criada pasta de Meio Ambiente e Sustentabilidade
(Semas). Ao longo dos quase três anos de atuação, o órgão tem
desenvolvido um trabalho inédito no Estado — seja apresentando
novos projetos, seja resolvendo problemas ambientais
que remontam ao começo da história de Pernambuco.
Articulado e com amplo trânsito na esfera política nacional,
o secretário foi apontado como um dos principais responsáveis
pela aproximação entre o governador Eduardo Campos (PSB)
e a líder da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, o que resultou
na aliança programática firmada entre as duas instituições
políticas. Na entrevista a seguir, Sergio Xavier conversa com a
NEBusiness, entre outros temas, sobre desenvolvimento sustentável,
os desafios de Pernambuco e do Brasil nessa área, o
projeto Noronha Carbono Neutro e a pauta que tomou conta
do noticiário político em 2013: o quadro eleitoral para este ano.

Economic growth in Pernambuco has been drawing attention
for almost a decade. Industries in many different
sectors have transformed the state, changing the
lives of millions and influencing social relations. Facing
such vigour, challenges to making prosperity available
to everyone in a sustainable way are many. One of the
actors in charge of trying to equalize theses apparently
distinct universes is Sergio Xavier, the Pernambuco Secretary
of Environment and Sustainability. He is journalist,
ecologist and digital communications entrepreneur,
and is one of the founders of the Green Party in Brazil
and Pernambuco.
After working in the Ministries of Environment and of
Culture in Lula’s first term, along with former Minister
Gilberto Gil, Sergio Xavier ran for governor of Pernambuco
in 2010 — coming third among the seven candidates.
He then had his name and ideas known by the public. In
March 2011, in the beginning of Eduardo Campos’ second
administration, Sergio was invited to head the then
recently-created office of Environment and Sustainability
(SEMAS). For almost three years, the office has been leading
an unprecedented work in the state — both by presenting
new projects and solving environmental issues that
date back to the early history of Pernambuco.
Articulated and familiar with politics nationwide, the
secretary is said to have been one of the protagonists in
forging an alliance between Governor Eduardo Campos
(PSB) and the leader of Rede Sustentabilidade, Marina
Silva, which resulted in both leaders sharing a common
agenda. In the following interview, among other issues,
Sergio Xavier talks to NEBusiness about sustainable development,
the challenges ahead of Pernambuco and Brazil
in the area, the Noronha Carbon-Neutral Project and the
latest on the 2014 election prospects.

 

“se você não cuida do meio ambiente, abre espaço para que a
economia fique exposta à escasse z de recursos naturais ”
“If you don’t take care of the environment, you run the risk of facing a shortage of
natural resources”

NEBusiness A questão da sustentabilidade
entrou de vez na
pauta de discussões quando o
tema é desenvolvimento. Como o
senhor avalia essa relação?/Sustainability
is on the development agenda
to stay. How do you see this link?


SERGIO XAVIER Quando a
economia cria um impacto negativo
no meio ambiente, há risco de
enfraquecimento da própria economia.
As mudanças climáticas,
provocadas por emissões de gases
que causam o aquecimento global,
podem ocasionar um prejuízo de
bilhões na agricultura e em outros
setores, além de destruir estruturas
das cidades. Isso significa que,
se você não cuida do clima, do
meio ambiente, você está abrindo
um espaço para que a economia fique
totalmente exposta à escassez
de recursos naturais, intempéries
extremas e instabilidades. E quem
mais sofre com essas questões são
os mais pobres. O problema é que
a maioria das pessoas não percebe
isso, e os que percebem não querem
mexer nos seus ganhos imediatos.
Mas acredito totalmente
que é possível fazer uma reversão,
estimulando um novo sistema em
que as pessoas lucrem, fortalecendo
os ecossistemas, os recursos
que alimentam a própria economia.
É possível guiar o crescimento econômico
e a geração de empregos
no rumo da sustentabilidade, fomentando
os eixos das tecnologias
limpas e reduzindo e convertendo
os setores que são desfavoráveis
ao equilíbrio ambiental, como os
que consomem muito combustível
fóssil ou emitem muito carbono.
Criar ciclovias e investir numa frota
híbrida ou elétrica de automóveis
é um exemplo de solução prática.
Em resumo, a saída é reciclar as
atividades poluidoras e criar eixos
promissores de economia verde.
Pernambuco já é destaque internacional
como polo produtor de equipamentos
de energia eólica, um
desses eixos. / When the economy
creates negative impact on the environment,
there is a risk it will weaken
itself in turn. Climate changes provoked
by greenhouse gas emissions
can lead to billions lost in agriculture
and other sectors, as well as destroy
urban infrastructure. It means that
if you don’t take care of the environment,
you are opening the way to
expose your economy to the lack of
natural resources, extreme weather
conditions and instability. And those
who suffer the impact the most are
the poor. The problem is that most
people don’t notice that, and those
who do don’t want to lose anything
in the short run. But I totally believe
it’s possible to reverse that with incentives given to a new system in
which people make profit while they
strengthen ecosystems, which are the
resources feeding the very economy.
It is possible to guide economic development
and job generation towards
sustainability, prioritizing clean technologies,
reducing and converting
industries that are harmful to the environment,
such as those consuming
large amounts of fossil fuels or those
heavy in carbon emissions. Creating
bikeways and investing in a hybrid
or electric car fleet are examples of
real solutions. In short, the key is rethinking
polluting activities and promoting
green economy. Pernambuco
is already an internationally known
wind power parts player; this is one of
these initiatives.

NEBusiness Dentro dessa nova
perspectiva, quais os principais desafios
para equacionar esses lados
aparentemente opostos — a economia
e o meio ambiente?/Within
this new perspective, what are the
main challenges in balancing these
two apparently opposing sides — the
economy and the environment?


SERGIO XAVIER Os ambientalistas
do século 21 não são aqueles
que ficam dizendo apenas não. A
pauta agora não é mais reativa;
e sim propositiva, precisamos
apontar quais as alternativas para
equalizar a economia e criar um
modelo sustentável e inclusivo de
desenvolvimento. É importante
definir aqueles setores que devem
decrescer, pois já estão saturados;
apontar os que precisam se estabilizar
e, principalmente, incentivar
os que precisam crescer, a exemplo
da energia eólica, solar, a reciclagem,
ecoarquitetura, eficiência
hídrica, agricultura orgânica, os
transportes saudáveis , como bicicleta,
entre muitos outros segmentos.
É necessária também uma
mudança de cultura na sociedade.
As pessoas precisam perceber
que fazer de maneira sustentável
é muito mais adequado, lucrativo
e inteligente. E é a única forma
de ter futuro. Isso exige acesso a
informação e conhecimento. / A
21st century environmentalist does
not just say no to everything. The
agenda is no longer a reactive one,
but a proactive one. We need to present
alternatives to balancing the
economy and a development model
that is sustainable and inclusive. It
is important to define those sectors
which shall lose ground for they
are already saturated; indicate the
sectors that need adjustments and,
most importantly, foster the ones
that need to grow such as wind power,
solar energy, recycling, green
architecture, water efficiency, organic
agriculture, healthy transport,
such as bicycles, among many other
sectors. It is also necessary to put
in practice some changes in society.
People need to see that doing things
in a more sustainable way is much
more appropriate, profitable and intelligent.
And it’s the only way to ensure
our future. This requires access
to information and knowledge.

 
NEBusiness A Secretaria do
Meio Ambiente — criada durante
a segunda gestão do governador
Eduardo Campos — obteve importantes
conquistas durante os três
primeiros anos de atuação. Como
avalia a atuação da pasta durante
esse período?/The Environment
Department — created in Governor
Campos’ second term — produced
important achievements over the
first three years of work. How do you
see the Department’s performance
in this period?


SERGIO XAVIER A secretaria foi
criada em 2011, pois o governador
Eduardo Campos reconheceu que,
nessa área, Pernambuco realmente
precisava dar um salto e incorporou
o conceito de sustentabilidade
no planejamento estratégico e no
monitoramento das ações governamentais.
Com visão abrangente,
identificamos as principais vulnerabilidades
socioambientais do Estado:
a seca e a desertificação na
região do Semiárido; a elevação do
nível do mar no Litoral e o desmatamento
e as inundações na Zona
da Mata. E começamos a formular políticas públicas para aumentar a
resiliência social, ecológica e econômica
do nosso Estado, criando
as bases do desenvolvimento sustentável.
Pernambuco está (juntamente
com a Amazônia) na faixa
apontada pela ONU como a mais
crítica no planeta, em relação aos
efeitos do aquecimento global.
Por isso, preparamos o Plano Estadual
de Mudanças Climáticas — o
primeiro lançado por um estado
brasileiro. O projeto de engordamento
das praias, coordenado e
desenvolvido pela secretaria e já
implantado em Jaboatão, em parceria
com a prefeitura e o Governo
Federal, é um exemplo de resposta
imediata ao avanço do mar. Em breve,
as obras começam em Recife,
Olinda e Paulista. A implantação
de mais de 80 unidades de conservação
na Mata Atlântica e Caatinga
é outra ação de grande impacto
positivo para proteger nosso
território dos efeitos do aumento
da temperatura global e conservar
nossas águas e nossa biodiversidade.
A transformação da Ilha de
Fernando de Noronha num exemplo
de desenvolvimento de baixo
carbono é outra ação que destaca
o pioneirismo de Pernambuco
no cenário internacional. Tudo
isso está sendo possível graças ao
compromisso programático assumido
e cumprido pelo governador
Eduardo Campos ao criar a nova
secretaria. O governo hoje, somando
as ações de todas as secretarias,
com recursos próprios e de parceiros,
está investindo um total de
R$ 11,5 bilhões em projetos ligados
à proteção ambiental. Só em saneamento
e gestão de água, o valor
passa de R$ 9 bilhões. / The Department
was created in 2011, as Governor
Eduardo Campos acknowledged
that Pernambuco really needed to
make progress in this area. So he
brought the concept of sustainability
into the strategic planning and monitoring
of government actions. Having
a wide perspective, we identified
the main social and environmental
vulnerable points in the state: the
drought and desertification in the
Semi-arid region; the rising sea level
in coastal areas and the deforestation
and floods in Zona da Mata. And
we started formulating public policies
to increase social, environmental
and economic resilience in our state,
laying the foundations for sustainable
development. Pernambuco is
(along with Amazônia) within the
area indicated by the UN as the more
critique in the planet in terms of the
effects of global warming. Because
of that, we have put together the State
Climate Change Plan — the first
such plan launched by a Brazilian
state. The beach extension project -
coordinated and developed by the department
and that has already been
carried out in the city of Jaboatão, in
a joint initiative with the local government
and federal government - is
an example of a prompt response to
rising sea levels. Soon, the work will
start in Recife, Olinda and Paulista.
The creation of over 80 conservation
units in Mata Atlântica and Caatinga
areas is another initiative of great positive
impact to protect our territory
from the effects of global warming
and to preserve our water resources
and biodiversity. We are turning Fernando
de Noronha into an example
of low-carbon development as one of
our internationally pioneer projects.
It all has become possible thanks to a
program commitment made and delivered
by Governor Eduardo Campos
when he created the new Environment
Department. The government
today, including initiatives at all state
departments, using government or
partnership funds is investing a total
of R$ 11.5 billion in projects related to
environment protection. In sanitation
and water management alone
over R$ 9 billion is being invested.

NEBusiness Quais os passos
concretos para construir um modelo
de desenvolvimento sustentável?/
What are the concrete
measures aimed at advancing a sustainable
development model?


SERGIO XAVIER Para construirmos
uma civilização sustentável, é
preciso ter uma sociedade “tri-resiliente”.
Ou seja, uma sociedade
onde as dimensões social, ambiental
e econômica estejam fortes e resistentes,
simultaneamente. Resiliência
é uma palavra-chave para se
entender a sustentabilidade, já que
tem relação com a capacidade que uma pessoa ou um sistema tem de
se recuperar de um impacto. Comprometer
essa capacidade de autorrecuperação
é criar um processo
de desequilíbrio que termina em
colapso. Isso vale para o ambiental,
mas também para os sistemas econômico
e social. Por isso, é preciso
investir numa economia verde
e inclusiva. Estamos implantando
unidades de conservação em todo
o Estado, tendo como premissa
envolver e fortalecer socioeconomicamente
as comunidades do
entorno. Em 2013, captamos R$ 218
milhões de recursos de compensação
ambiental para aplicar nesse
processo. A ideia é capacitar essas
comunidades para desenvolverem
atividades econômicas que sejam
amigas do meio ambiente, como
sementeiras, ecoturismo, artesanato,
apicultura, esportes naturais,
ecoartesanato, etc. Outro ponto
importante desse plano é a criação
de uma política de pagamentos por
serviços ambientais, com instrumentos
financeiros que remuneram
aqueles empreendedores que
preservam os recursos naturais,
transformando nascentes de água,
matas e biodiversidade em ativos
econômicos com valor monetário.
O ICMS ecológico é um exemplo
desse conceito. As prefeituras que
criam unidades de conservação e
tratam melhor os seus resíduos sólidos
recebem um valor financeiro
extra na partilha do ICMS recolhido
pelo Estado. Isso já é realidade
em Pernambuco. Em novembro,
lançamos um edital que disponibiliza
R$ 5,1 milhões para ajudar as
prefeituras a criarem 30 unidades
de conservação municipais. Serão
20 na Caatinga e 10 na Mata Atlântica. /
In order to build a sustainable
civilization, there should necessarily
be a society that is “tri-resilient”.
That is, a society in which the social,
environmental and economic dimensions
are simultaneously strong and
resilient. Resilience is a key word to
understanding sustainability, for
it has to do with the capacity of an
individual or system to recover after
an impact. Undermining this self-
-recovery capacity is triggering a process
of imbalance that will ultimately
lead to collapse. This is true for the
environment and is also true for the
economy and social systems. Therefore,
investing in a green and inclusive
economy is mandatory. We are setting
up conservation units across the
state, with the aim of engaging and
strengthening neighbouring communities
in social and economic aspects.
In 2013, we’ve raised R$ 218 million in
environment compensation resources
to invest in this process. The idea is
to build capacity in the communities
so they develop economic activities
that are friendly to the environment,
such as seedling, ecotourism, arts
and crafts, apiculture, environment
friendly sports, handicrafts and so
on. Another important point in this
plan is the creation of payment policies
for environmental services, with
financial instruments that represent
income for the entrepreneurs who preserve natural resources, turning
water springs, woods and biodiversity
into economic assets with monetary
value. Environment tax (the
green ICMS) is an example of this
concept. Local governments which
create conservation units and better
treat their solid waste get an extra
amount of funds when sharing ICMS
collected by the state. This is already
a reality in Pernambuco. In November
we opened a bid setting aside R$
5.1 million to help local governments
create 30 municipal conservation
units. It’ll be 20 in Caatinga and 10 in
Mata Atlântica.

“Para construir uma civilização sustent ável, é
preciso ter uma sociedade em que as dimensões social,
ambiental e econ ômica estejam fortes e resistentes ”
“In order to develop a sustainable civilization there must be a society in which
the social, environmental and economic dimensions are strong and resilient”

 

NEBusiness O Complexo Portuário
de Suape, ao mesmo tempo
em que é um dos símbolos da pujança
econômica de Pernambuco,
também sofre críticas por parte
de alguns ambientalistas. Quais
as ações tomadas pela Secretaria
do Meio Ambiente e Sustentabilidade
para equilibrar o passivo
ambiental deixado pelas gestões
passadas?/Although the Suape
Port Complex is one of the symbols
of Pernambuco’s economic power, it
has been target of criticism by environmentalists.
What measures is the
Environment Department taking to
counterbalance the environmental
impact of past administrations?

SERGIO XAVIER Estamos revertendo
esse passivo ambiental
de mais de 30 anos. Com o novo
plano diretor do porto industrial,
a área de preservação permanente
saltou de 48% para 59% do território,
garantindo a conservação e
recuperação de 9.600 hectares de
mangue, restinga e Mata Atlântica.
Criamos lá a maior unidade de
conservação de Mata Atlântica,
com 2.500 hectares, além de mais
três unidades que serão implantadas
no início de 2014, que, juntas,
irão totalizar 6.500 hectares
de mata preservada dentro do
território de Suape. Conseguimos
zerar todas as pendências
de pagamentos de compensação
ambiental das empresas instaladas
em Suape e que não estavam
em dia com essa obrigação, o que
resultou em uma receita de mais
de R$ 150 milhões para investimento
em projetos de conservação.
Além disso, foi inaugurada
em dezembro a primeira estação
de monitoramento do ar em
Suape, possibilitando fiscalizar e
garantir os níveis desejáveis de
qualidade  / We are reversing this
environmental liability that began
more than 30 years ago. With the
new master plan for the industrial
port, the permanent conservation
area was extended from 48% to 59%
of the territory, guaranteeing the
conservation and recovery of 9,600
hectares of mangrove, restinga and
Mata Atlântica. There we created
the largest conservation unit in
Mata Atlântica with 2,500 hectares,
as well as three other units to
be set up in the beginning of 2014.
Together, these areas will make a
total of 6,500 hectares of preserved
forest inside the territory of Suape.
We have managed to balance all the
companies’ environmental compensation
payments, for the companies
working in Suape that still had to be
compliant, which resulted in R$ 150
million to be invested in conservation
projects. Besides that, the first
air monitoring station was opened
in Suape in December, making sure
quality levels are as desirable.

NEBusiness Existe atualmente
no Estado algum tipo de incentivo
para que as empresas invistam
em projetos sustentáveis? E
quanto ao segmento da pesquisa
e educação, como está a questão
do fomento?/Is there some kind of
incentive for businesses to invest in
sustainable projects in Pernambuco?
And what about education and research,
how are they being prioritized?

SERGIO XAVIER Lançamos editais
que totalizam R$ 15 milhões
exatamente para captar projetos
para as unidades de conservação
no Estado inteiro. É a primeira vez
que temos um edital com esse valor
voltado apenas para a proteção
ambiental. No setor da educação,
em parceria com a Fundação de
Amparo à Ciência e Tecnologia de
Pernambuco (Facepe), estamos
oferecendo bolsas de mestrado,
doutorado e pós-doutorado para
quem é do interior, visando fortalecer
a presença de pesquisadores e
profissionais qualificados em todas
as regiões. A ideia é termos especialistas
trabalhando nas suas respectivas
cidades. E para os empresários
que pretendem investir em
Pernambuco, estamos criando um
super sistema de gerenciamento de
todos os processos ambientais do
Estado. O projeto Caburé (alusão a
uma espécie de coruja pernambucana
que está ameaçada de extinção)
é um dos principais da nossa
gestão. Um empreendedor interessado
em montar uma indústria em algum lugar do Estado poderá
acessar, através da internet, o mapa
de Pernambuco e pesquisar informações
sobre estudos de impacto
ambiental e incentivos do governo.
É um projeto que vai permitir
o planejamento e a integração de
informações, uma maior velocidade
nos processos de licenciamento
ambiental, além de aumentar a eficiência
na fiscalização. O primeiro
módulo começará a funcionar em
março. / We have launched bids that
come to a total of R$ 15 million with
the intention of finding projects for
conservation units across the state.
It is the first time a bid is ran aiming
environment protection exclusively. In
the area of education, in partnership
with The Foundation of Science and
Technology Support (FACEPE), we are
offering mater, doctorate and post-
-doctorate scholarships for students
in the countryside, with a view to
strengthening the presence of researchers
and qualified professionals in all
our regions. The idea is to have specialists
working in their own towns. And
for those planning to invest in Pernambuco,
we are creating a management
super-system featuring all environmental
requirements in the state.
The Caburé Project (named after a
kind of endangered owl in Pernambuco)
is one of the main initiatives put
forward by our administration. Entrepreneurs
who are interested in setting
up industries anywhere in the state
can have access to an online map of
Pernambuco and search for information
on environment impact studies
and government incentives. It is a
project that will enable planning and
integration of information, greater
speed in environmental licensing, as
well as improved monitoring. The first
module will be available in March.

“Para os empres ários que pretendem investir
em Pernambuco , estamos criando um super -
sistema de gerenciamento de todos os
processos ambientais do estado ”
“For those planning to invest in Pernambuco, we are creating
a management super-system featuring all environmental
requirements in the state”

NEBusiness Outra ação importante
da Semas é o Projeto
Noronha Carbono Neutro./Another
important initiative developed
by the Department is the Noronha
Carbon-Neutral Project.

SERGIO XAVIER Não existe
nenhum lugar no Brasil, e talvez
no mundo, que tenha conseguido
estabelecer um modelo de desenvolvimento
sustentável perfeito. O
que queremos em Noronha é nos
aproximar desse modelo. Um dos
projetos é transformar a ilha no primeiro
território Carbono Neutro
do País, buscando redução e compensação
de todas as emissões dos
gases que poluem e causam aquecimento
e mudanças climáticas. Já
fizemos um inventário que mostra
as emissões geradas por cada setor
(aéreo, transporte, agricultura,
energia, etc.) e o que fazer para
reduzi-las. No arquipélago, serão
testadas iniciativas que englobam
desde a gestão de resíduos até mudanças
na matriz energética. Duas
usinas solares estão sendo instaladas.
Devido à pequena escala,
Fernando de Noronha nos permite
fazer experiências inovadoras em
todas as áreas, que podem futuramente
ajudar o continente a traçar
caminhos sustentáveis. / There is
not a perfect sustainable development
model anywhere in Brazil, maybe
anywhere in the world. What we
want in Noronha is to get as close as
possible to this perfect model. One of
the projects is to transform the island
into the first carbon-neutral territory
in the country, aiming at cutting and
compensating all polluting and greenhouse
gas emissions. We have information
that shows the emissions generated
by each sector (air transport,
agriculture, energy, etc.) and what
can be done to reduce them. In the
archipelago initiatives will be tested,
from waste management to changes
in the energy matrix. Two solar
energy plants are being set up. Due
to its small scale, Fernando de Noronha
allows us to make innovative
experiences in all areas which can later
help areas in the mainland follow
sustainable paths.

NE Business A questão da sustentabilidade,
não apenas ambiental
como também econômica e social,
será um dos principais temas
do debate eleitoral da próxima
eleição presidencial?/Is sustainability,
not only in terms of the environment,
but also in terms of the economy and society, set to be one the
main issues in the electoral debates
for the next presidential elections?


SERGIO XAVIER Eu espero que
realmente seja. Desejamos que
todos os partidos políticos e lideranças
comecem a incorporar esse
conceito. Não há saída nem para o
Brasil, nem para o mundo se tivermos
apenas meia dúzia de pessoas
falando sobre isso. A decisão da
Marina Silva, da Rede Sustentabilidade,
em se aliar ao governador
Eduardo Campos, do PSB, é uma
grande contribuição para fortalecer
a inserção desse tema no debate
eleitoral de 2014./I really hope so.
We wish that all political parties and
leaders start considering this concept.
There is no other way out for
Brazil, nor for any other country in
the world, if we have only a couple of
people talking about it. Marina Silva’s
decision to forge an alliance with PSB
Governor Eduardo Campos is a great
contribution to further debating the
issue in the 2014 campaign.

NEBusiness O senhor foi apontado
como o principal articulador
na aproximação entre a ex-senadora
Marina Silva e o governador
de Pernambuco, Eduardo Campos
— o que resultou justamente na
aliança programática entre a Rede
Sustentabilidade e o PSB. O que
esperar dessa nova aliança?/You
are said to be the one who articulated
the alliance between former Senator
Marina Silva and the current
Governor of Pernambuco, Eduardo
Campos — which resulted in a program
alliance between Rede Sustentabilidade
and PSB. What do you
expect from this new alliance?

 
SERGIO XAVIER Essa aliança,
na verdade, teve início em 2011,
quando o governador Eduardo
Campos nos convidou para participar
da sua segunda gestão, a
partir de um compromisso programático.
Podemos dizer que o
que está acontecendo agora no
Brasil é a ampliação do que foi
estabelecido em Pernambuco há
quase três anos, quando o governador
prontamente aceitou incorporar
15 pontos programáticos
socioambientais à sua gestão. A
atual aliança é, sem dúvida, extremamente
benéfica para o País. A
partir do momento em que um governante
popular e bem avaliado
como Eduardo Campos incorpora
a questão da sustentabilidade ao seu discurso, isso ganha outra
proporção. Para nós que militamos
nessa área há tanto tempo, é
muito importante ver muita gente
debatendo essas questões. Isso
eleva a disputa política a patamares
ainda maiores. Precisamos
modificar o conteúdo e a forma de
fazer política — isso é o que busca
essa aliança . /This alliance started
being woven back in 2011, when
Governor Eduardo Campos invited
us to join his cabinet based on a shared
agenda. We can say that what
is happening in Brazil now is the
unfolding of what happened in Pernambuco
almost three years ago,
when the Governor readily accepted
to incorporate 15 social and environmental
program points to his
administration. The current alliance
is, no doubt, extremely beneficial
for the country. From the moment
a popular, well assessed leader like
Eduardo Campos decides to incorporate
the issue of sustainability to his
discourse, things get a new proportion.
For us who’ve been advocating
in this area for such long time it is
very important to see a lot of people
debating the issue. This takes the political
struggle to another level. We
need to change the content and the
way of doing politics — this is what
the alliance is about..


“O que est á acontecendo no Brasil é a ampliação
do estabelecido em Pernambuco há quase três
anos , quando o governador incorporou 15 pontos
program áticos socioambientais à sua gestão ”
“What is happening in Brazil is the unfolding of what happened in
Pernambuco almost three years ago, when the Governor accepted to
incorporate 15 social and environmental program points to his administration”


Rede Social nas Ruas

20 de Junho de 2013 às 08:05 em Posts
por Sérgio Xavier

Manifestações nas grandes cidades do Brasil mostram que as opiniões e interações das redes sociais saltam do mundo digital para o mundo real. Sentimentos e posturas migram dos espaços virtuais da internet para o ambiente concreto das ruas. Como as Redes são canais de comunicação horizontal, sem coordenação, onde cada indivíduo expressa livremente seus pensamentos, é natural que a transposição dessa pluralidade para a cidade seja ‘caórdica’. Ou seja, aparenta caos, mas tem uma base de ordem, essência e propósito.

 
Diante de múltiplas expressões, que abrangem inúmeros anseios individuais e coletivos, há perplexidade e pouco entendimento sobre o que está acontecendo. A imprensa tem dificuldade de sintetizar em manchetes os objetivos, pois o espectro é amplo, os participantes diversos e as posturas, em alguns aspectos, contraditórias. Assim, como na internet. Enquanto uma maioria apresenta pacificamente e criativamente suas demandas, grupos minoritários, destoam com agressões, saques e violência incendiária.

Na verdade o que está acontecendo é o teletransporte da vida digital para a vida real. Na internet há de tudo. Pacifistas, agregadores, formuladores, estudiosos, mas também preconceituosos, violentos, criminosos, autoritários e rebeldes sem causas. E quando essas tribos ocupam simultaneamente as ruas, expõem suas respectivas tonalidades e diferenças em discursos e ações.

Nesse contexto, o papel do poder público e da polícia deve ser o de garantir direitos, com atuação equalizadora. De um lado, proteger manifestantes, orientar trânsito, ouvir reclamos, receber e acatar propostas inovadoras, criar canais permanentes de diálogo, em todas as áreas. Por outro lado, agir com inteligência para evitar violência e depredações, isolando cirurgicamente aqueles que extrapolam os limites dos direitos e deveres comuns. Este é o papel do Estado numa verdadeira democracia.

A interação em rede, integrando comunidades, e contemplando a diversidade, sem manipulação partidária, é a nova forma de ativismo político. Mas isso está em construção colaborativa, não tem receita pronta.

O desafio imediato é garantir um legado positivo de toda esta mobilização, elevando o patamar da cidadania no Brasil. Ainda não sabemos como esse movimento espontâneo dialogará com os canais políticos institucionais, buscando representatividade e mudanças nas esferas oficiais e nos processos eleitorais. Mas certamente exercerá efetiva pressão para mudar velhas práticas política. E isso já é uma vitória.

Contudo, se a mobilização, que nasceu exigindo redução no custo de transporte, mudar a percepção que se tem sobre as grandes cidades, buscando soluções eficientes para a mobilidade, abrindo espaços para bicicletas e redesenhando o espaço urbano de forma mais democrática, já terá sido outro grande avanço.

E novos conceitos podem emergir desse processo. Como esses, que venho defendendo:

Cidade Móvel – Serviços, educação, lazer, comércio e empregos aproximando-se do cidadão, movendo-se para a periferia, para reduzir necessidade de deslocamento e perda de tempo.

Cidade Mesclada – Planejar prédios de luxo e populares lado a lado, no mesmo bairro, evitando grandes deslocamentos para trabalhadores e estudantes, criando mais segurança com o convívio sem barreiras.

Cidade Compartilhada – Sair do ‘ter’ para o ‘usar’ de forma inteligente e eficiente, com uso compartilhado de equipamentos públicos, bicicletas, cadeiras de rodas, carros, taxis etc, usando tecnologias digitais. Como já é sucesso com as bicicletas do Porto Digital.

Povo nas ruas expressando indignação e ideias, na paz, acima de partidos, sem submissão, é sinal de País democrático! O Brasil avança!

Sérgio Xavier, Integrante da Comissão Nacional da Rede Sustentabilidade

Artigo Publicado na Folha de Pernambuco - 20 JUN 2013

Construindo a Sustentabilidade

11 de Junho de 2013 às 08:05 em Posts
por Sérgio Xavier

CPRH Zoom
Criação do Monumento Natural Serra do Cachorro, em São Caetano

Equilíbrio, Saúde e Felicidade são desejos que instigam a humanidade. Criar uma Sociedade Sustentável, eliminando desigualdades, evitando crises econômicas e impedindo colapsos ecológicos é o grande desafio do século 21. Isso requer resiliência simultânea nos três pilares da sustentabilidade: Social, Econômico e Ambiental. Ou seja, exige Tri-Resiliência. Requer visão sistêmica, ação em rede e políticas públicas interconectadas. 

Resiliência é a capacidade de um indivíduo ou um sistema se autorregenerar rapidamente, após sofrer impacto ou instabilidade. Como não existe ação humana sem impactos, algo só é sustentável quando não ultrapassa a capacidade de regeneração natural ou planejada. Ou seja, para se ter uma civilização sustentável as previsíveis oscilações da economia, da saúde, do clima, da produção agrícola, dos ecossistemas e da vida das pessoas não podem ultrapassar os limites da resiliência. Portanto, construir a sustentabilidade é considerar limites: evitando impactos além das capacidades de recuperação (individual, social, econômica e ambiental) e fortalecendo as condições para suportar crises e dificuldades conjunturais.

O governo de Pernambuco está considerando essas premissas na formulação de políticas, no planejamento, na gestão e no monitoramento. Em 2011 o governador Eduardo Campos criou a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade - Semas e incluiu “Sustentabilidade” entre as metas estratégicas, resultantes da interação permanente com a sociedade. Todas as secretarias estão incorporando esses conceitos e atuando com sinergia. Construir a sustentabilidade é tarefa coletiva: de governos, empresas, ONGs e pessoas. E exige novos conhecimentos, percepções, atitudes e muita perseverança.

Para impulsionar concretamente este novo modelo de Desenvolvimento ‘Tri-Sustentável’ em Pernambuco, lançamos no Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6), um plano estadual com investimentos de R$ 205 milhões oriundos da Compensação Ambiental de grandes empreendimentos instalados no Estado. Um marco histórico que vai viabilizar a criação de novas unidades de conservação natural na Caatinga, Mata Atlântica e no Litoral, preservando nossa biodiversidade e garantindo maior equilíbrio hídrico e climático em todas as regiões pernambucanas, sobretudo no semiárido.

Os recursos serão aplicados visando reforçar a tri-resiliência, beneficiando comunidades pobres no entorno de dezenas de unidades de conservação, gerando capacitação profissional, emprego, renda e fortalecendo eixos da Economia Verde. Apicultura, ecoturismo, agroecologia, sementeiras, esportes naturais, manejo florestal, instalação e manutenção de sistemas locais de energia renovável (Biomassa, solar e eólica) são algumas das atividades incentivadas, de acordo com as vocações de cada lugar. Em vez de pressionar o ambiente natural em busca de sobrevivência, as comunidades estarão capacitadas para tirar ‘sustento’ e elevar sua qualidade de vida ajudando na conservação ambiental.
Entre as muitas ações do Plano de Desenvolvimento Sustentável lançado neste “mês do meio ambiente”, destacam-se: a criação de nova unidade de conservação na Serra do Cachorro, em São Caetano; a Criação do primeiro Parque Estadual Marinho no litoral da Região Metropolitana, viabilizando um polo internacional de ecoturismo e mergulho; Bolsas de Mestrado e Doutorado para profissionais residentes em todas as regiões do Estado, criando rede de especialistas em gestão da Sustentabilidade; Regularização fundiária de Bita e Utinga, maior unidade de conservação de Mata Atlântica, formalizada em 2012, em Suape; e a criação de mais 15 reservas até 2014, totalizando 88 unidades de conservação em todo o Estado.

É assim, de forma prática, que Pernambuco cria um modelo de desenvolvimento de futuro. Não tenho dúvidas de que a sociedade alternativa deste milênio é a sociedade sustentável.

Sérgio Xavier, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco

Artigo publicado no Jornal do Commercio - PE - 9 de junho de 2013

Imprensa destaca primeiro Parque Marinho para mergulhos de Pernambuco

28 de Abril de 2013 às 18:11 em Posts
por Sérgio Xavier

 VEJA AS PRINCIPAIS NOTÍCIAS DA TV E DOS JORNAIS:

TV GLOBO – 27/04/2013

Veja reportagem do jornalista Francisco José, da TV Globo, sobre mergulhos em antigos navios naufragados no litoral do Recife e o projeto do primeiro Parque Estadual Marinho de Pernambuco. A secretaria estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade planeja afundar dois grandes aviões na área para criar recifes artificiais, multiplicar a vida marinha e atrair ecoturistas. O secretário Sérgio Xavier mergulhou junto com a equipe de TV para ver de perto as belezas do fundo do mar.
Veja vídeo nos links –

1) http://g1.globo.com/videos/pernambuco/nordeste-viver-e-preservar/t/edicoes/v/area-de-naufragios-da-costa-pernambucana-abriga-dezenas-de-peixes/2541464/

http://glo.bo/125w3fV

2) http://g1.globo.com/videos/pernambuco/nordeste-viver-e-preservar/t/edicoes/v/sucatas-da-vasp-podem-ser-afundadas-no-litoral-pernambucano/2568165/

http://glo.bo/12rgLUx

 

JORNAL DO COMMÉRCIO – PE 23/04/2013

Cartão-postal submarino

A partir de setembro, governo planeja implantar áreas específicas para mergulho e observação de naufrágios na Região Metropolitana


Nos 187 quilômetros do litoral pernambucano sabe-se da existência de mais de 100 navios naufragados. Pelo menos 27 deles, localizados no Grande Recife, vão compor o primeiro Parque Estadual Marinho de Naufrágios de Pernambuco, previsto para entrar em funcionamento a partir do próximo verão, em setembro.

Os frequentadores do parque vão mergulhar com arraias, tubarões, lagostas e uma infinidade de peixes multicoloridos. "Estamos definindo o modelo mais adequado, para conciliar a preservação com uso sustentável", diz o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Sérgio Xavier.

Coordenado pela Semas, o projeto do Parque Estadual Marinho de Naufrágios já tem recursos assegurados. O governo vai usar parte do dinheiro do fundo de compensação ambiental, pago por grandes empreendimentos implantados no Estado. "Temos cerca de R$ 200 milhões captados", informa o secretário.

Sábado passado, ele visitou dois naufrágios, para ver de perto o patrimônio subaquático que fará parte do parque. No mergulho, conheceu o vapor Pirapama, afundado em 1889 depois de se envolver num acidente em 1887 e passar dois anos encostado no porto. A embarcação, de casco de ferro, está a 23 metros de profundidade e a seis milhas da costa, entre o Porto do Recife e Olinda.

O secretário também vistoriou o rebocador Servemar, afundado em 3 de junho de 2004 para formação de recife artificial. Com 22 metros de comprimento, a embarcação encontra-se a 24 metros de profundidade e a 3,5 milhas da costa, em frente à Praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. "É enorme a diversidade de espécies animais e vegetais nos navios e barcos naufragados", declara Sérgio Xavier.

Além das embarcações, o parque contará com duas aeronaves. A Semas e os parceiros do projeto pretendem afundar dois grandes aviões para ampliar o acervo dos naufrágios. Especialistas, mergulhadores e pesquisadores de universidades indicarão o lugar mais apropriado. "Pode ser no Recife, Olinda ou Porto de Galinhas, estamos avaliando."

Sérgio Xavier esclarece que a proposta do parque ainda está na fase de estudos. Os mergulhos do sábado precedem a execução do projeto, explica. O assunto será discutido na próxima semana, em reunião com a Secretaria de Turismo e Lazer do Estado, Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Capitania dos Portos, Superintendência de Patrimônio da União, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Associação das Operadoras de Mergulho de Pernambuco, Associação das Empresas de Ecoturismo de Pernambuco e universidades.

 

"Vamos apresentar a ideia e começar a definir os caminhos para criar o parque, que terá foco na educação ambiental e em pesquisa. Uma possibilidade é delimitar uma Área de Proteção Ambiental (APA)", adianta. Com o parque, o governo espera preservar o ecossistema natural e disciplinar atividades praticas no mar.

Um plano de manejo vai definir o que é preciso para fazer os mergulhos, guiados por empresas autorizadas e certificadas. A área do parque será sinalizada por boias e fiscalizada. "É um projeto com alcance social, ecológico, histórico e econômico", destaca o secretário.

Segundo ele, pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) identificaram mais de 70 espécies nos naufrágios. "Entendemos que os mergulhos não interferem na preservação da vida marinha", comenta. As embarcações funcionam como abrigo para animais e corais.

"Os naufrágios contribuem com o aumento de vida marinha e criam mais produção na cadeia alimentar. Isso pode atenuar o risco de ataque de tubarão, porque o peixe terá alimento", pondera Sérgio Xavier.


FOLHA DE PERNAMBUCO - PE - 23/04/2013

Recife pode ter polo de mergulho

Gilberto Prazeres

Uma das ações é adquirir dois Boeings para naufragá-los na costa pernambucana

Secretário Sérgio Xavier realizou mergulhos a naufrágios próximos à Capital (FOTO)



 Com o objetivo de constituir o maior polo de mergulho em corais do Brasil, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado está muito próxima de adquirir dois aviões do modelo Boeing para naufragá-los ao longo do litoral pernambucano. Além do apelo turístico, a iniciativa também contribuirá para o enfrentamento aos ataques de tubarões, uma vez que o tipo de ecossistema que se forma nesse tipo de estrutura artificial atrai diferentes espécies de animais marinhos, incluindo os maiores predadores.

Responsável pela ação, o secretário Sérgio Xavier destaca que a gestão estadual praticamente não terá custos com a aquisição das aeronaves. “São sucatas e não gastaremos muito na compra. É algo barato que terá um impacto significativo. Além de colocar Pernambuco em destaque como o maior polo de mergulho em corais, também trabalharemos a questão dos tubarões. Os corais artificiais são uma saída para o problema, que persiste no Estado. São fontes de alimentos que deverão afastar esses animais da nossa orla”, observou.

Contudo, o secretário estadual de Meio Ambiente afirmou que ainda não é possível revelar os valores das duas aeronaves, uma vez que o Governo do Estado ainda está em fase de negociação com as empresas proprietárias dos aviões. O gestor indicou que esse período também incluiu o acerto para a realização do transporte dos aviões até a área do futuro naufrágio. “O preço não é problema. Apesar de ainda não poder divulgar, já garantimos que será baixo. A questão mais complicada é a logística para levá-los”, pontuou Sérgio Xavier.

No último fim de semana, o secretário mergulhou em dois naufrágios próximos ao Recife para ajudar a planejar o projeto estadual. O secretário revelou ainda que, na próxima semana, irá se reunir com representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério do Meio Ambiente para analisar as possíveis áreas que podem abrigar os dois Boeings na costa pernambucana. “Tem que ser feito com cuidado. Vamos verificar o melhor local para levar as duas aeronaves”, frisou.


MODELO

O Boeing é um avião no estilo widebody (aeronaves de fuselagem larga) de longo alcance, projetado e produzido pela companhia norte-americana Boeing e vendido para as mais diversas companhias áreas espalhadas pelo mundo. Alguns deles possuem um andar superior ao pavimento principal como um salão extra para a realização de diferentes atividades durante os voos. Dependendo do modelo, o Boeing pode transportar até 415 passageiros.


DIÁRIO DE PERNAMBUCO – PE e DIÁRIO DE MINAS – MG – 28/04/2013

Aviões serão afundados para prática de mergulho recreativo em PE

Já imaginou mergulhar em aviões naufragados? Pois isso será possível até setembro no Recife e em Porto de Galinhas, quando o Parque Estadual Marinho de Naufrágios estiver funcionando. Os boeings da Vasp 727-200 e 737-200, estacionados no pátio do Aeroporto Internacional do Recife/ Guararapes - Gilberto Freyre há oito anos, deverão ser comprados pelo estado e afundados em alto-mar. Os frequentadores também poderão nadar entre arraias e peixes coloridos e ver de perto 27 embarcações que foram a pique na costa pernambucana.

Os aviões foram fabricados na década de 1980 e pararam de voar no início de 2005. Desde então, estão estacionados próximo à cabeceira 36 do aeroporto, ocupando uma área de 3 mil m2. No país, as aeronaves da Vasp estavam sendo desmontadas e as peças vendidas até novembro do ano passado, quando uma decisão da Justiça proibiu temporariamente os leilões. Caso a Secretaria Estadual de Meio Ambiente não consiga comprar os boeings, outros dois aviões, inclusive de fora do Brasil, poderão ser negociados. Mas isso encareceria o processo, devido aos custos com o traslado. "Estamos em processo de aquisição, negociando algumas alternativas, e vendo o local adequado no fundo do mar", acrescentou o secretário Sérgio Xavier. "O projeto (parque) é válido, pois os recifes artificiais atraem a vida marinha e estimulam o turismo”, disse o biólogo da UFPE, Leonardo Bruto.

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