Sérgio Xavier é jornalista, ecologista e empresário da área de comunicação digital. Um dos fundadores do Partido Verde no Brasil, participou de movimentos ambientalistas e foi Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente (1998).
Integrou o Conselho de Administração do Canal Futura e dirigiu a comunicação do Sebrae, onde desenvolveu programas nacionais de TV e Radio, integrados à internet, e implantou o sistema digital da Agência Sebrae de Notícias - ASN, maior agência brasileira de notícias sobre pequenas empresas, interligada à Agência Estado (2001). http://asn.interjornal.com.br
Fundou o Instituto InterCidadania - www.intercidadania.org.br - voltado para ações sócio-culturais, ecológicas e de inclusão digital; e criou empresas especializadas em jornalismo online, com atuação no Brasil, Portugal e Estados Unidos.
Foi Secretário de Fomento e Incentivo do Ministério da Cultura, na gestão Gilberto Gil (2003 até janeiro de 2006). Atualmente, é presidente do Conselho do Instituto InterCidadania e dirige suas empresas: SX Brasil e InterJornal - www.interjornal.com.br - onde está desenvolvendo sistemas inovadores de comunicação digital, como o Portal de Busca AchaNoticias: www.achanoticias.com.br e o Projeto iTEIA - www.iteia.org.br - uma rede colaborativa de cultura e informação livres.
SÉRGIO XAVIER - Por Frederico Pernambucano de Mello, historiador - em 2005
Não é de hoje que conheço Sérgio Xavier, menino manso de temperamento, em quem a inteligência de berço recebeu o trato de uma formação erudita difícil de encontrar: a que reúne os saberes humanos às ciências físico-naturais, dando-nos, no caso dele, essa mistura rara de jornalista e engenheiro eletrônico, a serviço da administração da cultura.
Como profissional de imprensa, surpreende pela calma, quando o freqüente entre os de sua classe tem sido o pagamento dos ônus pesados da pressão arterial elevada e até do tique nervoso, para não falar da dilaceração da família, tamanhas as exigências que de momento se insinuam no caminho da busca da notícia, ou da condução da campanha institucional eficiente, negando tempo ao piscar de olhos. A nenhuma outra profissão as engrenagens dos mídia têm cobrado preço tão elevado, com desafios que só fazem crescer ante a transitividade do dado eletrônico no presente.
A natureza dual de sua vida não para por aí. Nascido em Paulo Afonso, desenvolveu-se intelectualmente no Recife, estabelecendo vínculo que o torna irmão de Delmiro Gouveia, que sei ser de sua admiração, como da minha. Filho do agreste mais tórrido, o Pioneiro de Paulo Afonso areja a inteligência no litoral, como sabemos, sem esquecer a dívida com o chão de berço, a que beneficiará mais que ninguém, com o desabrochar dos dotes de empreendedor, após 1902. Homem de dois mundos. Dois Nordestes. O da cana-de-açúcar e o do couro do bode. A pancada do mar embalando um dos ouvidos, o aboio langoroso do vaqueiro enternecendo o outro, ao cair da tarde sertaneja. A mesma geografia de sentimentos que caracteriza a vida de Sérgio. O mesmo compromisso com o rincão de origem e mocidade. A mesma preocupação de beneficiá-lo.
Disse certa vez, no espaço histórico do Auditório Vicente de Menezes, o quanto folgava em ver a autenticidade de Sérgio na alcatifa macia de Brasília, em que se movimenta como cortesão consumado, a não dever aos mais hábeis na liturgia sutil da administração pública – e a mostrar, principalmente, o quanto é caricatural e preconceituosa a imagem de um nordestino tosco. Com a mesma naturalidade o vi entrar no Raso da Catarina, o deserto terrível das sagas da guerra de Canudos e do cangaço, onde caminhamos, lado a lado, pelo espaço de horas, nas areias fofas da Baixa do Chico. Pés na geografia, olhos voltados para a história, a refletir sobre a sentença do frasista insuperável que foi Euclides da Cunha: “ Os sertões conservarão, para todo o sempre perdidas, tragédias espantosas”.
Sérgio Xavier é o melhor do Nordeste posto a serviço do País nos dias que correm. Nesse conturbado presente brasileiro que estamos vivendo. Um outro nordestino de grande valor o convocou, o ministro Gilberto Gil, tomando-o por arrimo de sua ação em benefício da cultura, das artes e da inclusão social. Confiando à sua serenidade o setor mais delicado da estrutura da pasta. Aquele em torno do qual se controvertem as ambições mais ruidosas, nem sempre de todo atentas aos interesses da cultura.
Andou bem a minha querida Vila da Pedra, a brava cidade de Delmiro Gouveia, ao distinguir [com título de Cidadão Honorário] esse cavalheiro de vulto delicado e vontade de ferro. Que tudo tem conseguido para a região sem empurrar portas. E de quem muito ainda se pode esperar.