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  • DataAlagoas, 23 de Outubro de 2014
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A fascinante elucubração do “se”

14 de Julho de 2014 às 13:09 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


E se aquela bola tivesse entrado, resvalando no travessão para dentro do gol? E se o vento tivesse soprado um pouco mais desviando a bola? E seu Neymar não tivesse se contundido? E se o juiz não desse cartão amarelo a Thiago Silva (como em lance semelhante que outro juiz entendeu como jogada normal)? Sem a especulação do se, não haveria conversa de botequim. Não haveria nem filosofia. Ficaríamos soterrados no duro terreno dos fatos.

Portanto, mais uma pergunta que não quer calar: e se a Argentina tivesse ganho por um a zero a final contra a Alemanha, resultado perfeitamente possível na final da Copa do Brasil? Os organizados alemães fracassariam em mais uma Copa, alongando sua espera na fila para 28 anos. Como ficaria a tese da mídia de que a Alemanha é o paraíso do planejamento e do trabalho abnegado de longo prazo? Joachim Löw continuaria incontestado?

Seria divertido acompanhar as análises. O também corrupto e desorganizado futebol argentino capitaneado pela Afa (a CBF deles), pobre em gols, bom de defesa (o oposto do previsto pelos especialistas antes da Copa), estaria se consagrando no Brasil?. Claro, aí teríamos de aguentar o oba-oba incessante em torno de Messi, que , por sinal, ainda ganhou o titulo injusto de melhor da Copa.

Mudar tudo é sinal para mudar nada

14 de Julho de 2014 às 13:08 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


A cada quatro anos tem sido assim. O Brasil perde a chance de obter mais um título de campeão do mundo e vem o papo de renovação, mudança da estrutura. Este ano, com a derrota acachapante, dentro de casa, a conversa domina todos os setores.

Poucos comentaristas se dão ao trabalho de pensar ou explicar, como é difícil acontecer uma renovação na estrutura do futebol brasileiro. Pouco se fala da estrutura política da coisa toda. Na base da pirâmide, cada clube é uma confusão interna de facções que se apegam a cargos para conseguir facilidades. Seus dirigentes elegem federações estaduais viciadas. As federações sustentam o esquema da CBF. Esta, por sua vez, junto com outras confederações, sustentam o esquema planetário da Fifa. Francamente, alguém acha que esse esquema vai ser mexido porque o Brasil perdeu a Copa?

Em 2010, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu uma longa entrevista a Galvão Bueno no canal SportTV, logo depois da derrota do time de Dunga, e determinou que para a Copa seguinte, o time seria completamente renovado. A entrevista absurda – e não contestada por Bueno na hora – deu origem ao projeto Mano Menezes, claramente fracassado. E depois resultou na contratação de Felipão, que representou uma volta parcial ao bom senso, ao chamar alguns craques acima dos 25 anos e gente com experiência de Copa (o que não foi suficiente mas foi menos ruim do que se o time fosse ainda mais inexperiente como queria Teixeira). Este é o perigo, soluções demagógicas que só piorem o que já está muito ruim.

O mais provável, no entanto é que, passado o choque, teremos uma acomodação. Muda-se de técnico, resultados positivos virão e seguiremos rumo a uma nova Copa do Mundo com todo entusiasmo, anestesiados pela esperança depositada nas pernas insolentes de um novo moleque-produto do tipo Denílson/98, Robinho/2006, ou Neymar/2014.

Sem escolas de qualidade, teremos escolinhas de futebol?

14 de Julho de 2014 às 13:07 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


A Alemanha será aqui? Calma nessa hora. Se o Brasil nunca esteve nem perto de organizar uma rede de escolas básicas que chegue perto de qualquer parâmetro de qualidade, soam como piadas as propostas de que se organize uma rede nacional (num país continental) de centros de treinamento para peneirar craques mirins, como supostamente faz a Alemanha.

A desorganização do futebol apenas reflete o país. No mais, pensar em mágica no Brasil não passa de um misto de ingenuidade e oportunismo.

A macroestrutura não explica os seis minutos

14 de Julho de 2014 às 13:06 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


Num esporte que tanto favorece o acaso como o futebol, culpar os erros da macroestrutura por um gol, ou mesmo uma sequência de gols, é uma visão reducionista, economicista que despreza a complexidade das coisas.
Claro que a seleção vinha jogando mal e foi comandada de forma absurda pela dupla Felipão-Parreira (falta de treinos, auto-suficiência, arrogância, bravatas promocionais, comercialismo, pedestal das cinco estrelas, etc).
Mas, é preciso insistir, nada isso justifica o nervosismo, a instabilidade emocional de levar quatro gols em seis minutos. Alguém precisa verificar se o Íbis levou quatro gols em seis minutos na sua história.
Mas agora virou moda dizer que “não foram os seis minutos” - assim como há um ano era moda dizer “são os vinte centavos” durante os protestos - com o intuito de voltar o foco para as mudanças de base necessárias ao futebol. As mudanças são necessárias (não virão, contudo) mas o que vai ficar para a história mesmo é o descontrole emocional, este sim, um fenômeno de difícil explicação que vai nos perturbar por décadas.

Idolatria repentina pode ter pirado David Luiz

14 de Julho de 2014 às 13:03 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


O zagueiro David Luiz vinha sendo provavelmente o melhor jogar do Brasil na Copa até as quartas-de-final contra a Colômbia. Com a contusão de Neymar, a TV Globo o escolheu para ser o novo grande xodó da torcida, nessa necessidade doentia por ídolos (que possam multiplicar os lucros dos setores econômicos envolvidos com a Copa). E tome David Luiz, os cabelos, o menino-exemplo, o bom filho. O pai e a mãe eram entrevistados em todos os telejornais repetindo elogios que vinham dizendo há meses nos perfis feitos pela imprensa.
Coincidência ou não, foi aí que o zagueiro de cachos no cabelo pirou. Depois que virou ídolo nacional, sua produção caiu muito. Quis resolver tudo se mandando para o ataque. Era defensor, meio campo e atacante, tudo ao mesmo tempo, de forma tresloucada. Na goleada sofrida da Alemanha, ele colocou-se mal no lance do primeiro gol e foi, de cara, o principal culpado. Em seguida, durante os terríveis e infames seis minutos, nunca estava na defesa, no seu lugar, para tentar exercer seu papel de defensor na hora em que aconteceu a torrente de gols. A imagem não mostra mas provavelmente estava no ataque, desesperado como se estivéssemos a poucos minutos do final da partida.
Fala-se de seu desentrosamento com Dante, da falta de treinos. Verdade. Porém, mais uma vez, o estrelato intensificado em poucos dias pode ter cumprido também um papel negativo nas atuações e David Luiz é um exemplo. Uma seleção instável, e sem inspiração, entregue ao turbilhão midiático-publicitário é uma bela receita de derrota.