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  • DataAlagoas, 12 de Julho de 2014
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Baile à fantasia no país do ludopédio

10 de Julho de 2014 às 19:42 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


Um dos aspectos mais curiosos das últimas Copas do Mundo tem sido a mania da torcida se fantasiar com temas de seus países durante as partidas. Há trinta anos havia o Pepe, lendário torcedor espanhol, sempre acompanhado de um bumbo nos estádios. Há uns vinte surgiu o gaúcho brasileiro, torcedor que não perde um jogo da seleção, sempre de chapéu, bigodão e taça na mão. Agora os estádios estão cheio de figuraças. Mexicanos mascarados, africanos vestidos a caráter em cores berrantes, louras holandesas. Mas, de novo, ninguém supera o Japão em humor e produção. São gueixas, samurais, figuras tiradas da mitologia japonesa.
Na estação rodoviária de Natal, na madrugada após o empate na partida entre Japão e Grécia, um casal circulava como se estivesse em casa. Enrolados em kimonos longos e coloridos, usavam longas perucas brancas, rostos pintados em listras vermelhas e azuis, grandes óculos escuros. Parecia ser um homem e uma mulher mas a fantasia dificultava qualquer certeza maior. O mais alto dos dois – o homem? – tentou entrar no banheiro da rodoviária. A funcionária indicou cortesmente que ele deveria, antes de entrar, comprar uma ficha. Despachado, ele voltou ao guichê e comprou a ficha. Depois foi visto fazendo um lanche numa mesa, ao lado da companheira. Na sua fantasia absurda (no sentido mais divertido da palavra) – talvez inspirada num personagem do teatro Nô ou numa figura dos quadrinhos japoneses – estava à vontade no Brasil exótico, curtindo a Copa do Mundo, vestido como num baile à fantasia.

Japoneses fazem fila na madrugada

10 de Julho de 2014 às 19:41 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu

Japoneses fazem fila na madrugadaRecife, 15 de junho, 2 horas da madrugada. Um grupo de japoneses desce da estação central do metrô, vindos da distante Arena Pernambuco, onde o Japão havia sido derrotado pela Costa do Marfim. Ao lado de brasileiros e estrangeiros, os japoneses se dispersam pelo desértico e decadente centro da cidade em busca de um táxi. Na esquina entra a rua do Sol e a ponte Duarte Coelho, encontram duas viaturas da polícia e decidem fazer uma fila para esperar ordeiramente os táxis que custam a chegar. Faziam como no Japão. Em momentos de dificuldades, fila e organização. Respeito pelo próximo.
Enquanto isso, os ocidentais caminhavam para mais longe para levar vantagem e pegar o táxi antes.
Quem viu a fila, teve mais um banho de educação. Essa foi noticiada: a torcida japonesa recolheu o próprio lixo antes de deixar o estádio. Futebol também é civilidade.

Banhos de civilidade

10 de Julho de 2014 às 19:40 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu

A beleza da Copa do Brasil foi estragada pela terrível derrota da seleção contra a Alemanha. As lembranças sentimentais do período infelizmente ficarão marcadas pelo sabor amargo da goleada.Mas não podemos desperdiçar a influência positiva que a Copa teve em vários aspectos e segmentos da vida brasileira. Das “elites” nas arquibancadas ao humilde vendedor de água na porta do metrô, todos entraram no clima de boas vibrações. Foi um banho de civilidade, educação e cortesia para todos nós, habitualmente imersos num cotidiano marcado pela grossura e pela violência latente nas grandes cidades do país.

Durante um mês, a turba feiosa e barulhenta que freqüenta os estádios brasileiros (a própria imagem da nossa miséria) foi substituída – salvo um ou outro incidente – por uma multidão cheia de boa vontade, ávida em se divertir e se confraternizar com estranhos fantasiados. Havia uma energia positiva no caminho de ida e volta para os estádios que nunca houve no Brasil. Seria bom que alguma migalha de civilidade sobrasse para nosso consumo quando o circo for desarmado.

Onde está Pelé?

10 de Julho de 2014 às 17:30 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


Alguém imagina uma Copa do Mundo em que o país sede não joga na capital (oficial ou espiritual) uma única vez? Pois a Copa passou pelo Brasil e a seleção nacional não teve, pela tabela, oportunidade de disputar uma única partida (das sete) no principal templo do futebol nacional, na principal cidade, aquela que resume o país, o Rio de Janeiro. E, pior, a CBF não reclamou e ninguém pareceu se importar muito porque a maioria confiava, soberbamente, na chegada ao jogo final.
E Pelé, o rei do futebol, excetuando-se uma única partida, viu a Copa pela televisão.

Bobagens em torno dos alemães

10 de Julho de 2014 às 17:28 em Posts, Copa 2014
por Marcelo Abreu


A mitificação brasileira em torno dos alemães sempre foi grande, influenciada pelas atrocidades da Segunda Guerra Mundial. Até pouco tempo, quando aparecia um alemão na área alguém sempre gritava um “Heil, Hitler”, ou um “ja, wohl”, em meio a risadinhas. Isso hoje, ainda bem, já é considerado ofensivo. Mas persistem os velhos preconceitos entre os que nunca foram a Alemanha. “Povo autoritário, frio, pontual, organizado, duro, inflexível”.
Então é natural que, quando um alemão, andando descontraidamente numa praia baiana, de bermudas, dá um sorriso, o brasileiro desinformado pense que o mundo está salvo. “Que legal, os alemães estão adorando o Brasil e são gente boa”. Não é bem assim. É óbvio que os alemães são pessoas normais, libertos da loucura nazista há sete décadas. Bons ou maus, fiéis ou traiçoeiros como todos os outros povos, inclusive os brasileiros.