05/01/2010 - 16h35
Detalhe da foto
Os jornais de hoje estamparam foto originariamente publicada pelo Estadão, do presidente Lula, com familiares e seguranças, numa praia isolada, na Bahia, onde está descansando.
O detalhe extraordinário é que ele, de bermudas e camiseta, carrega um isopor na cabeça, como qualquer praieiro.
Aliás, como qualquer praieiro, não. Os ricos não carregam isopor na cabeça.
Pode-se dizer que foi uma atitude demagógica. Talvez. Como talvez tenha sido um gesto espontâneo. O presidente estava numa ação privada e, pelo jeito, a foto foi feita de longe, possivelmente com uma teleobjetiva.
De qualquer maneira, mesmo que tenha sido deliberada, a inusitada cena não parece descolada do, digamos assim, jeito de ser do presidente. Ou seja, a imagem tem efetividade. Imaginem o Collor, o Sarney ou mesmo o Fernando Henrique em tal situação. Seria evidente tratar-se de jogada de marketing.
Com Lula, devemos conceder, ao menos, o benefício da dúvida.
A tal foto e a certeza de que rico não carrega nem embrulho, me provocaram uma espécie de viagem na memória.

Billy Blanco, figura do Rio
Viagem que tem a ver com uma música de Billy Blanco (William Blanco Trindade), o compositor que anda sumido: "A banca do distinto" (1959), uma sátira social com contundente lição, ao modo da filosofia popular.
Para o pessoal mais jovem, vai um rápido perfil do homem.
Nascido no Pará em 1924 e formado em arquitetura no Rio, em 1950, compôs e teve gravadas centenas de canções, algumas em parceria com Tom Jobim, Baden Powell e Sebastião Tapajós.
O auge do seu sucesso foi nas décadas 50 e 60, quando suas composições foram gravadas pelos maiores intérpretes da época ou por ele próprio (com uma ginga toda especial), tornando-se famoso, sobretudo pelas letras com cunho de crônica musical ou sátira, como seu primeiro sucesso - “Estatuto da Gafieira”, que vi interpretada recentemente por Elza Soares ("Moço, olha o vexame, o ambiente exige respeito"), ou "Piston de gafieira" (“Na gafieira segue o baile calmamente...”) ou ainda “Não vou pra Brasília” (“Eu não sou índio nem nada...”).
Aos 85 anos, Billy, que gravou há algum tempo um CD pela Biscoito Fino, é uma figura do Rio, com seu imenso bigodão e rabo-de-cavalo, sempre vestido de branco, caminhando por Copacabana.
A música que a cena do presidente com isopor na cabeça me fez lembrar, numa espécie de viagem no tempo, é esta:
“A banca do distinto”
Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal.”
(A matéria poderá ser enviada para até 5 pessoas. Os e-mail's devem ser separados por ponto-e-vírgula)
Homero comentou:
Essa postagem é de 5 de janeiro de 2010.
Hoje, leio entrevista do pianista e maestro João Carlos Martins, na Istoé nº 2105, de 17/03/10, o seguinte trecho, que vale a pena acrescentar:
"Istoé - Quando o sr. conheceu o presidente Lula?
Martins - Toquei no aniversário dele, em outubro. Conheci o presidente naquele dia. E aí eu vi o carisma dele. Quando acabou o concerto, tinham de tirar o piano e vieram os carregadores. E ele falou: 'De carregar piano eu entendo, maestro. Deixa que eu empurro'. E foi ele quem tirou o piano."
Paulo Paiva comentou:
Homero
Não sei se é verdade, mas me disseram que a doença do Lula, aqui no Recife, foi uma carraspana. Ele passou a noite tomando glicose na veia, no hospital. Hipertensão se trata assim, é ? repito: não sei se é verdade, mas os antecedentes ...
Um abraço,
Paulo
PAULO MARIANTE comentou:
pelas fotos ao meu ver nosso presidente esta carregando decisoes a serem tomadas
Comentário publicado dia 30/01/2010, às 19:23Paulo Paiva comentou:
Prezado David
O que se está discutindo não é o fato de alguém carregar um isopor na cabeça. É o dedo do ministro da propaganda, Franklin Martins, para mostrar "como Lula é povão". Ele aprendeu direitinho em Cuba.
David Guerra comentou:
O que tem demais em carregar um isopor sobre a cabeça? Demagogia da imprensa sem assunto.
Comentário publicado dia 28/01/2010, às 23:02Hedvan Pereira comentou:
Lula é um oportunista. Não sei como os "intelectuais" não se dão conta do logro que esse cara nos impinge. Vai ferrar a nação para que a terrorista Dilma emplaque o poder.
Pobre Brasil !
Décio e Bernardo Valença comentou:
Você esqueceu? Tem ainda a famosa marchinha de carnaval de Luís Antonio e J. Júnior (Lata d'agua). Segue a paródia:
"Isopor lá na cabeça
lá vai Lulinha
lá vai Lulinha
Sobe a rampa e não se cansa
E Marisa
É uma criança
Lá vai lulinha
Lulinha
é o povo
no planalto
Lutando pelo pão
De cada dia
Sonhando com a Vida
Lá no alto
Que acaba
Onde Dilma principia"
jeronymo h. Rego netto comentou:
O que a danada da cachaça não faz. Tudo
pura armação de assessores para mostrar
a simplicidade do Lula. Realmente, nós
brasileiros merecemos.
Patrícia Ferreira comentou:
Lula é demais.
Comentário publicado dia 09/01/2010, às 23:06José Luiz Pereira dos Santos comentou:
Achar que é armação é um direito que todos tem. Mas tem uma "coisinha" a favor de Lula: A foto foi publicada pelo Estadão que gosta de Lula tanto quanto onça gosta de alface.
Comentário publicado dia 09/01/2010, às 10:13Fred comentou:
Muito bom
Comentário publicado dia 05/01/2010, às 17:37Paulo Paiva comentou:
Homero
O homem tem dezenas de aspones, doidos pra puxar o saco do chefe. Claro que foi armação. Franklin Martins, Ministro da Propaganda (O Goebbels de Lula), é tinhoso.
Um abraço,
Paulo