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  • DataPernambuco, 18 de Setembro de 2014
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A incrível saga de um livro

13 de Setembro de 2014 às 12:45 em por Homero Fonseca

 

Amanhã (sábado, 13/12/2014), às 16 horas, na Livraria Jaqueira: lançamento do livro "João Cabral e Josué de Castro conversam sobre o Recife", de Teresa Sales, com fala da professora Renata Pimentel e um reforço meu. Apareçam que o livro é ótimo.

A proprósito, a autora publicou no saite da revista eletrônica "Será?" um artigo com a incrível saga deste livro, que reproduzo a seguir.

 

 

 

 

 

 Pedras no caminho de um livro – Teresa Sales

 Fui concebido e gestado num tempo bom. Depois de escrito, minha autora escolheu à dedo (ou melhor dizendo, eu é que fui escolhido por) uma madrinha que, com todo o gosto e zelo, preparou o enxoval. O projeto gráfico ficou bonito e valorizou meu corpinho de 116 páginas.

Foi então que surgiu a primeira pedra no caminho. A madrinha não se entendeu com os métodos e procedimentos do hospital escolhido para me dar à luz. Com prazo certo para vir ao mundo, a Cortez Editora mobilizou seus próprios designers gráficos. Aqui e acolá ficaram as marcas do bom gosto da madrinha. A capa ficou linda! Confesso até que gostei mais dela do que daquela de meu primeiro enxoval.

Finalmente, fiquei pronto para ser apresentado ao mundo. Primeiro, na Bienal Internacional do Livro em São Paulo no dia 28 de agosto de 2014. Porém, na véspera, a segunda pedra no meu caminho: faltavam-me as sete páginas finais. Não dava nem para aproveitar a capa porque teria que mudar a largura da lombada. Funcionários dedicados viraram a noite e conseguiram me levar completo, em 50 exemplares, para o burburinho da Bienal do Livro. Fui brindado com gostosos petiscos e proseco.

A terceira pedra no meu caminho não foi um contratempo maior do que os outros. Foi talvez o mais inusitado. Estava eu viajando de São Paulo para o Recife, multiplicado em 300 exemplares, em transportadora que trazia junto mercadorias de mais utilidade prática – geladeiras, fogões, fornos de micro-ondas – e eis que na rodovia Rio-Bahia fomos todos assaltados. Meus companheiros de viagem terão destino certo. E eu? Para onde me levarão os salteadores de estrada?

Tenho esperança, como livro clandestino, poder chegar a mãos que me valorizem.

Agora estou viajando de avião para ser apresentado a meus conterrâneos. Cortez acaba de avisar o acontecido na Rio-Bahia à minha autora. Vocês pensam que ele estava desesperado? Qual nada! Com seu bom humor à prova de qualquer apuro, deu risada, cogitando qual seria o meu destino.

Essa, aliás, não é sua primeira experiência com ladrões e livros. Há dez anos, a editora foi assaltada com destino certo: o cofre. Para desgosto dos assaltantes, a única pessoa que detinha o segredo já havia ido embora. Cortez não se alterou: “olha aqui, rapaz, você tem filho? Tem família?” À resposta afirmativa, saiu-se com essa: “então vá com Isabel até aquela prateleira e pegue uns livros infantis. Quem sabe esses livros possam ajudar seus meninos a ter uma vida melhor do que essa que você está levando”. Assim, em vez de dinheiro, os assaltantes levaram aparelho de fax, algumas calculadoras e livros, muitos livros. 

 

Sarau Plural: o Mestre a a Bailarina

26 de Agosto de 2014 às 16:04 em por Homero Fonseca

 

Dois na lista

26 de Agosto de 2014 às 09:19 em por Homero Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

Folha da Jaqueira (house organ) da Livraria Jaqueira, edição de julho/agosto 2014.

Dois livros na lista de mais vendidos na secção infantil.

As eleições e a mídia

22 de Agosto de 2014 às 11:33 em por Homero Fonseca

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Apresentadora da Globo de dedo em riste para a presidente da República

 

Artigo de Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, na Carta Capital – 18/08/2014.

 Na próxima terça 19, com o início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, entraremos na etapa final da mais longa eleição de nossa história. Começou em 2011 e nossa vida política gira em torno dela desde então.

A batalha da sucessão de Dilma Rousseff foi iniciada quando cessou o curto período de lua de mel com as oposições, no primeiro ano de governo. Talvez em razão do vexame protagonizado por José Serra na campanha, o antipetismo andava em baixa.

Durou pouco. Na entrada de 2012, o clima político deteriorou-se. As oposições perceberam que, se não fizessem nada, marchariam para nova derrota na eleição deste ano. Ao analisar as pesquisas de avaliação do governo e notar que Dilma batia recordes de popularidade a cada mês, notaram ser elevadas as possibilidades de o PT chegar aos 16 anos no poder. E particularmente odiosa. Serem derrotadas outra vez por Dilma doía mais do que perder para Lula.

Ela era “apenas” uma gestora petista, sem a aura mitológica do ex-presidente. Sua primeira eleição podia ser creditada, quase integralmente, à força do mito. Mas a segunda, se viesse, seria a vitória de uma candidatura “normal”. Quantas outras poderiam se seguir?

A perspectiva era inaceitável para os adversários do PT. Na sociedade, no sistema político e no empresariado, seus expoentes arregaçaram as mangas para evitá-la. A ponta de lança da reação foi a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo.

Recordar é viver. Muitos se esqueceram, outros nem souberam, mas a realidade é que a “grande imprensa” formulou com clareza um projeto de intervenção na vida política nacional. Não é teoria conspiratória. 

Quem disse que os “meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”, foi a Associação Nacional de Jornais, por meio de sua presidenta, uma das principais executivas do Grupo Folha. Enunciada em 2010, a frase nunca foi tão verdadeira quanto de 2012 para cá.

Como resultado da atuação da vanguarda midiática oposicionista, estamos há três anos imersos na eleição de 2014. A derrota de Dilma é buscada de todas as formas. O “mensalão”? Joaquim Barbosa? A “festa cívica” do “povo nas ruas”? O “vexame” da Copa do Mundo? A “compra da refinaria”? O “fim do Plano Real”? A “volta da inflação”? O “apagão” na energia? A “crise na economia”? A “desindustrialização”? O “desemprego”?

Nada disso nunca teve verdadeira importância. Tudo foi e continua a ser parte do esforço para diminuir a chance de reeleição da presidenta.

Ou alguém acha que os analistas e comentaristas dessa mídia acreditam, de fato, na cantilena que apregoam quando se vestem de verde-amarelo e se dizem preocupados com a moral pública, os empregos dos trabalhadores ou a renda dos pobres? Ou que queiram fazer “bom jornalismo”?

Temos agora uma ferramenta para elucidar o papel da mídia na eleição. Por iniciativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está no ar o manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br), um site que acompanha a cobertura diária da eleição na “grande imprensa”: os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, além do Jornal Nacional da Globo (como se percebe, os organizadores do projeto julgaram desnecessário analisar o “jornalismo” do Grupo Abril).

Lá, vê-se que os três principais candidatos a presidente foram objeto, nesses veículos, de 275 reportagens de capa desde o início de 2014. Aécio Neves, de 38, com 19 favoráveis e 19 desfavoráveis. Tamanha neutralidade equidistante cessa com Dilma: ela foi tratada em 210 textos de capa. Do total, 15 são favoráveis e 195 desfavoráveis. Em outras palavras: 93% de abordagens negativas.

É assim que a população brasileira tem sido servida de informações desde quando começou o ano eleitoral. É isso que faz a mídia para exercer o papel autoassumido de ser a “oposição de fato”.

O pior é que a influência dessas empresas ultrapassa o noticiário. Elas contratam as pesquisas eleitorais que desejam e as divulgam quando e como querem. E organizam os debates entre candidatos.

Está mais que na hora de discutir a interferência dessa mídia no processo eleitoral e, por extensão, na democracia brasileira.

Tragédia e teorias conspiratórias

16 de Agosto de 2014 às 21:09 em por Homero Fonseca

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Em junho, o Cessna da campanha de Eduardo teve uma pane no Paraná

 


A Globo (e outras redes) induziram o público a que houve um atentado na queda do avião de Eduardo Campos.

É de uma leviandade e uma irresponsabilidade espantosas. Os comentários e noticiários deram a entender que o Cessna Citation estava em perfeito estado, portanto afastando qualquer falha técnica, e os pilotos eram competentes, portanto falha humana estaria fora de cogitação. Tudo isso precocemente, sem fundamento em laudos técnicos. O mau tempo que provocou a manobra, prevista mas fora do padrão normal, de arremeter o avião e informes de que a aeronave teria apresentado problemas técnicos recentemente, são deliberadamente ESQUECIDOS. O notório Alexandre Garcia foi enfático nesses pontos, concluindo que o acidente era UM MISTÉRIO. Ora, todo acidente aéreo, até que sejam concluídas as complexas e demoradas investigações sobre suas causas, é um mistério. Ficar enfatizando isso insistentemente é induzir a que, na cabeça das cabeças, já transtornadas pela dimensão da tragédia, desate-se as mais pirotécnicas teorias conspiratórias, como todo evento de grande comoção por si só já enseja.

Um exemplo de maluquice: rola nas redes sociais a "notícia" de que a presidente Dilma teria sancionado, NO DIA DO ACIDENTE, lei que determina sigilo durante as investigações de desastres aéreos. Absurdo. As informações corretas estão no saite e-farsas, especializados em desmentir boatos e hoax na internet. Leiam aqui: http://www.e-farsas.com/dilma-cria-lei-tornando-sigilosas-investigacoes-sobre-acidentes-aereos.html

Ninguém em sã consciência pode dizer, antes da conclusão das investigações, o que aconteceu. O que pretendem a Globo e suas congêneres com isso? Não sei. Semear a confusão, certamente. Com que objetivo?

Resta apenas, enquanto aguardamos os resultados dos órgãos especializados em investigação de acidentes aeroviários, lamentar profundamente as mortes de Eduardo e seus assessores, todos jovens, competentes e extraordinárias figuras humanas.

A notícia de que a caixa preta (CRV) não tinha gravado as últimas conversas a bordo é sem dúvida incomum. Pra quem já estava inclinado, motivado pela mídia ou por temperamento, a acreditar piamente em atentado ou coisa assim, ouvi um brigadeiro, ex-chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos) revelar que a a gravação é apenas um dos elementos da investigação, e a falha em absoluto não impede os trabalhos. Também um técnico informou que a caixa de gravação pode apresentar defeito ou estar com sua capacidade lotada.

Essas duas informações ouvi nos telejornais de ontem à noite, assim como outra, importante: a de que o mesmo Cessna havia apresentado problema técnico em uma decolagem no Paraná, recentemente, obrigando Eduardo e Marina a irem de carro até Londrina. Passou até um vídeo dolorosamente irônico, em que ele comenta o incidente e diz algo como: "Pelo menos foi em terra!" e todos riem. Essas informações somente agora estão sendo divulgadas, mas o estrago das insinuações levianas já está feito. Já se fala abertamente nas redes sociais, sem o menor fundamento, em atentado, assassinato etc. Se a mídia estivesse minimamente interessada em fazer reportagens investigativas iria atrás de uma postagem que li por aqui de que o piloto teria escrito em sua página que estaria CANSADAÇO devido ao ritmo intensíssimo de uma campanha eleitoral.

Quero dizer, por fim, que para as investigações todas as hipóteses devem ser avaliadas e que é justa a estranheza do público devido ao desencontro de informações (entretanto normal pela lentidão das investigações). O que não se pode é, a partir de predisposições políticas, tirar conclusões precipitadas e, por ingenuidade ou má fé, espalhá-las como verdade nas redes sociais.

Por fim, façamos um exercício dedutivo, somente como hipótese, sobre um eventual atentado: a pergunta básica é A QUEM INTERESSARIA a tragédia? A situação eleitoral fica bastante conturbada. É bom lembrar o notável desempenho de Marina Silva nas eleições presidenciais passadas e o fato de que, antes da aliança com o PSB, ela tinha maiores índices de intenção de votos do que o próprio Eduardo. Portanto, saindo candidata, Marina tirará votos de Dilma (parte da esquerda desiludida com o PT) e abocanhará alguns percentuais dos indecisos e pode ir para um segundo turno, deixando Aécio fora do jogo. Portanto, tanto Dilma como Aécio não teriam qualquer interesse nisso, ambos saem perdendo. Na véspera da tragédia, toda a imprensa noticiava, com base em reiteradas pesquisas, que a candidatura de Eduardo “não decolara”. Portanto, não era ameaça direta nem a Dilma, nem a Aécio, que esperava contar com ele num eventual segundo turno, também indefinido até agora. Marina sim, com os 20 milhões de votos da eleição passada, se não é uma ameaça direta aos dois oponentes, desequilibra totalmente a correlação de forças eleitoral.

Outro dados importante: Quase todos os acidentes aéreos registrados no ano passado no País (como no mundo) envolveram aeronaves pequenas, focadas em transporte privado, de táxi aéreo ou instrução. No decorrer do ano passado, 159 aeronaves sofreram acidentes no Brasil, 158 delas de transporte não regular (leia-se, vôos de carreira), segundo dados da Anac.
Os dados estão no blogue Radar da aviação, do Estadão:
http://blogs.estadao.com.br/.../2014/08/13/acidentes-aereos/

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