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  • DataPernambuco, 31 de Outubro de 2014
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O voto é secreto, mas...

25 de Outubro de 2014 às 18:00 em por Homero Fonseca

 
Zé de Arruda, que andava meio desaparecido – ou por que estivesse envolvido com namorada nova ou por que estava deprimido -, me ligou esta manhã. Como se as palavras estivessem represadas, a conversa saiu num jorro só. Praticamente me limitei a ouvir, pois com sua peculiar vivacidade narrativa, o professor prendeu minha atenção desde o início. Transcrevo o quase monólogo:

- Doutor Fonseca. Tive um encontro memorável agora há pouco. Não sei se já te falei alguma vez, mas conheço um cara que mora aqui perto e me fez revelações espantosas. Esse sujeito, um cinquentão bem apessoado, era gerente de uma agência bancária até o ano passado, quando se aposentou. Até então, nossos contatos se limitavam a um bom dia eventual quando ele saía de casa num carrão potente, de paletó e gravata. Depois que se aposentou, encontramo-nos com frequência na padaria ou na farmácia do bairro. Começamos a trocar um dedo de prosa e, nesse período, não sei por que cargas d’água, o homem deu de contar praticamente toda a sua vida, com uma franqueza desconcertante. Deve ser coisa de aposentado. Além de se gabar dos casos extraconjugais frequentes, ele conta coisas curiosas, com bastante naturalidade. Ele também parece ter satisfação em se apresentar como uma pessoa “inventiva”, quero dizer, esperta. Nesses encontros casuais, fiquei sabendo por exemplo que ele mora na confortável casa perto do meu prédio há mais de 10 anos e nunca pagou luz e água: dribla a conta com um macaco e um jacaré. Fiz um cálculo mental: 10 anos dá 120 meses. Assumindo que as contas somadas girem em torno de R$ 300,00 (por baixo, pois a moradia do homem é avantajada), a fraude já lhe rendeu algo em torno de R$ 36.000,00. Parece que esse valor dá pra comprar à vista um carro compacto zerinho, de um belo modelo. Ou seja, falando sem eufemismos, ele roubou um Pálio ou outro carro melhor. Mas esse tipo de raciocínio está longe de passar pela cabeça dele. Quando me fez a confissão, a atitude dele parecia com aquela do Gérson, na propaganda de cigarro: “Eu levo vantagem em tudo!” Outro dia o vi furando a fila no banco, aparentemente ostentando sua condição de ex-gerente de agência bancária. Por essas e outras, meio sem querer passei a observá-lo melhor. Às vezes, ele estaciona o carro em plena calçada, atravancando o caminho do pedestre. Outro dia, apareceu um guarda de trânsito, de talão de multa na mão. Percebi claramente ele tirar a carteira e pagar uma propina ao guarda, livrando-se da multa. Imagino os estratagemas da declaração de imposto de renda dele. Mas paremos por aqui. Não sou fiscal da moralidade pública, nem tenho nada a ver com a vida de quem quer que seja. O curioso é que agora há pouco cruzei com ele na calçada. Com uma camiseta e boné com propaganda de seu candidato, ele me mostrou uma revista Veja que carregava embaixo do sovaco e perguntou em quem eu iria votar amanhã pra presidente, mas nem esperou por minha resposta. Revelou seu voto (o que era desnecessário!) e, julgando-me um eleitor indeciso, tentou me convencer a votar no seu candidato. Fez um proselitismo danado, alinhou uma série de argumentos, tipo “O bolsa família é uma fábrica de desocupados”, “Contra a violência temos de diminuir imediatamente a maioridade penal desses meliantes mirins”, ficou rubro de indignação e por fim tirou da manga o argumento final, definitivo, demolidor:

- Precisamos de mudanças, professor Arruda. Ninguém aguenta mais tanta corrupção no Brasil!

Noite de Breu

25 de Setembro de 2014 às 11:51 em por Homero Fonseca

 

O músico Geraldo Maia estreia na literatura com o livro confessional BREU, que será lançado esta noite (quinta, 25/09/2014), no Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457), ali juntinho da Fundarpe, às 19:30 horas, seguindo-se um pocket-show musical.

Li os originais e escrevi uma nota introdutória, ao lado de nomes como Adriana Falcão, Marco Polo Guimarães e Raimundo de Moraes.

Garanto qua a obra tem um conteúdo impactante e uma forma muito bem trabalhada, numa prosa poética de grande fluência.

 Foto Teresa Maia

Foto Teresa Maia Zoom
Geraldo Maia estreia na literatura com texto impactante
 

 

Gatos e mulheres

20 de Setembro de 2014 às 18:15 em por Homero Fonseca

 Estamos tendo problemas com uma praga de gatos de rua aqui em casa. Eles resolveram fazer dela seu território. São ariscos, não se deixam pegar. Subrepticiamente invadiram por duas vezes o interior da casa e fizeram suas necessidades fisiológicas sobre um sofá e uma cama, para desespero de Iracema. Com a ajuda de nativos, temos evitado que a população felina se multiplique exponencialmente. Como por aqui não tem nenhuma entidade que abrigue os bichos, nossa estratégia é capturar os pequenos, quando já estão taludos, e soltá-los em pontos distantes. Não fosse isso, a superpopulação deles estaria infernizando nossa vida. Mas a gata-mãe e duas crias de partos diferentes, além de dois gatos machos (esses mais raramente) vivem por aqui, dormindo, miando e adubando caoticamente o quintal. A gata é uma grande parideira: já contamos quatro ninhadas, em dois ou três anos.

Na última fornada de gatinhos, esperamos que crescessem o suficiente para se virarem, e mandamos despachá-los. O último deles coube a mim mesmo levá-lo para longe. Aproveitei que precisava ir de Maragogi (AL) para São José da Coroa Grande (PE), cidades fronteiriças, para induzir a migração do bichano.

Minha ideia era deixá-lo em terras de São José, a 10km daqui de casa. Mas, durante a viagem, Iracema sugeriu que ele ficasse em algum ponto aqui de Maragogi mesmo. Argumentei que ele teria menos facilidade em retornar, se fosse posto em S. José. Mas ela insistia em Maragogi. Depois de papo pra lá e pra cá, perguntei o motivo da insistência:

                - É que ele nasceu aqui em Maragogi e é melhor deixá-lo por aqui mesmo.

                Ah, entendi! Como era um gato alagoano, ela preferia que ficasse em terras das Alagoas. Diante de tão poderoso argumento, acedi em fazer seu gosto.

A incrível saga de um livro

13 de Setembro de 2014 às 12:45 em por Homero Fonseca

 

Amanhã (sábado, 13/12/2014), às 16 horas, na Livraria Jaqueira: lançamento do livro "João Cabral e Josué de Castro conversam sobre o Recife", de Teresa Sales, com fala da professora Renata Pimentel e um reforço meu. Apareçam que o livro é ótimo.

A proprósito, a autora publicou no saite da revista eletrônica "Será?" um artigo com a incrível saga deste livro, que reproduzo a seguir.

 

 

 

 

 

 Pedras no caminho de um livro – Teresa Sales

 Fui concebido e gestado num tempo bom. Depois de escrito, minha autora escolheu à dedo (ou melhor dizendo, eu é que fui escolhido por) uma madrinha que, com todo o gosto e zelo, preparou o enxoval. O projeto gráfico ficou bonito e valorizou meu corpinho de 116 páginas.

Foi então que surgiu a primeira pedra no caminho. A madrinha não se entendeu com os métodos e procedimentos do hospital escolhido para me dar à luz. Com prazo certo para vir ao mundo, a Cortez Editora mobilizou seus próprios designers gráficos. Aqui e acolá ficaram as marcas do bom gosto da madrinha. A capa ficou linda! Confesso até que gostei mais dela do que daquela de meu primeiro enxoval.

Finalmente, fiquei pronto para ser apresentado ao mundo. Primeiro, na Bienal Internacional do Livro em São Paulo no dia 28 de agosto de 2014. Porém, na véspera, a segunda pedra no meu caminho: faltavam-me as sete páginas finais. Não dava nem para aproveitar a capa porque teria que mudar a largura da lombada. Funcionários dedicados viraram a noite e conseguiram me levar completo, em 50 exemplares, para o burburinho da Bienal do Livro. Fui brindado com gostosos petiscos e proseco.

A terceira pedra no meu caminho não foi um contratempo maior do que os outros. Foi talvez o mais inusitado. Estava eu viajando de São Paulo para o Recife, multiplicado em 300 exemplares, em transportadora que trazia junto mercadorias de mais utilidade prática – geladeiras, fogões, fornos de micro-ondas – e eis que na rodovia Rio-Bahia fomos todos assaltados. Meus companheiros de viagem terão destino certo. E eu? Para onde me levarão os salteadores de estrada?

Tenho esperança, como livro clandestino, poder chegar a mãos que me valorizem.

Agora estou viajando de avião para ser apresentado a meus conterrâneos. Cortez acaba de avisar o acontecido na Rio-Bahia à minha autora. Vocês pensam que ele estava desesperado? Qual nada! Com seu bom humor à prova de qualquer apuro, deu risada, cogitando qual seria o meu destino.

Essa, aliás, não é sua primeira experiência com ladrões e livros. Há dez anos, a editora foi assaltada com destino certo: o cofre. Para desgosto dos assaltantes, a única pessoa que detinha o segredo já havia ido embora. Cortez não se alterou: “olha aqui, rapaz, você tem filho? Tem família?” À resposta afirmativa, saiu-se com essa: “então vá com Isabel até aquela prateleira e pegue uns livros infantis. Quem sabe esses livros possam ajudar seus meninos a ter uma vida melhor do que essa que você está levando”. Assim, em vez de dinheiro, os assaltantes levaram aparelho de fax, algumas calculadoras e livros, muitos livros. 

 

Sarau Plural: o Mestre a a Bailarina

26 de Agosto de 2014 às 16:04 em por Homero Fonseca

 

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