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  • DataPernambuco, 26 de Maio de 2015
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A magia do futebol

13 de Maio de 2015 às 23:39
Homero Fonseca

Foto: FC Barcelona Zoom
A bola já cruzara parcialmente a marca de gol quando Stegen, caído após defendê-la parcialmente, ergueu-se como uma Fênix azougada e conseguiu desviá-la para escanteio.

 

O futebol tem momentos verdadeiramente mágicos. Duas das defesas mais sensacionais a que já assisti na vida, foram praticadas no jogo Bayern de Munique x Barcelona, ontem (12/05/15), pelo jovem goleiro alemão do time espanhol, Ter Stegen, 23 anos.

 Na primeira, aos 20’ do primeiro tempo, Müller acertou uma cabeçada no canto superior direito do Barcelona, lá no alto, exatamente no ângulo do travessão. Jamais vi um goleiro defender uma bola naquela posição (“lá onde a coruja dorme”, como dizem os narradores esportivos). É a posição mais perfeita em que um jogador pode colocar a pelota no arco do adversário. Pois não sei como, Stegen esticou-se todo, num “voo” espetacular e espalmou a esfera para escanteio.

 

A segunda, aos 38 também do 1º tempo, quando Lewandowski, na entrada da pequena área, desfechou um pelotaço no canto esquerdo do goleiro catalão. Stegen saltou no reflexo e defendeu parcialmente com a mão esquerda, caiu ao solo e a bola foi morrendo mansamente nos fundos da rede. O atacante do time alemão já se preparava para comemorar o gol quando Stegen ergueu-se como uma Fênix azougada, saltou no encalço da pelota e, quando ela já atravessara parcialmente a linha de gol*, com um leve, milimétrico, milagroso toque, conseguiu desviá-la para fora.

 Duas defesas monumentais, históricas, para ficar nos anais futebolísticos, praticadas pelo mesmo goleiro, numa mesma partida: uma façanha e tanto.

 *Pelas regras do futebol, o gol só se consuma quando a bola cruza totalmente aquela marca.

 

 

Prêmio Nacional Cepe de Literatura: R$ 80 mil aos vencedores

07 de Maio de 2015 às 16:20
Homero Fonseca

 

Estão abertas até o próximo dia 15 de maio as inscrições para o Prêmio Nacional Cepe de Literatura –  certame com um dos mais altos valores pagos em premiação em todo Brasil: R$ 80 mil, sendo R$ 20 mil para os vencedores de quatro categorias: Romance, Conto, Poesia e Literatura Infantojuvenil. Organizado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), o concurso faz parte da programação comemorativa dos cem anos da Imprensa Oficial.

 O prêmio vem chamando a atenção de escritores de todo o país – estando confirmado o recebimento de trabalhos de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco, entre outros estados. O concurso é aberto para brasileiros residentes no país ou no exterior, bem como estrangeiros naturalizados. Cada participante poderá inscrever uma obra (inédita e escrita em português) em qualquer das categorias.

 O edital do Prêmio Nacional Cepe de Literatura está disponível nos sites da Companhia Editora de Pernambuco (www.cepe.com.br, seção Licitações) e da Secretaria de Administração do Estado (www.portais.pe.gov.br/web/seadm, seção Painel de Licitações). Ele também poderá ser solicitado através do e-mail cpl@cepe.com.br ou diretamente na sede da Cepe (sala da Comissão Permanente de Licitação – CPL), mediante a apresentação de um CD ou pendrive para gravação do conteúdo. O atendimento ao público interessado vem sendo feito de segunda a sexta-feira, das 9h às 11h30 e 14h às 16h30, na Rua Coelho Leite, nº 530, Santo Amaro. Informações também podem ser obtidas através do telefone (81) 3183-2712.

 A Cepe receberá as inscrições em sua sede, no horário das 8h às 17h, de segunda a quinta-feira, e das 8h às 16h nas sextas-feiras, impreterivelmente até o 15 de maio. No caso de envio pelos Correios, será considerada a data de postagem, de acordo com o carimbo da entidade. As inscrições são gratuitas. O  anúncio dos resultados  será feito no dia 1 de setembro e a entrega dos prêmios   em dezembro.

 Informações: Marco Polo - Superitendente de Produção e Editoração da Cepe: 9618.8438/3183.2782

 

   

A poesia de Marcelo Pereira no Sarau Plural

02 de Maio de 2015 às 19:12
Homero Fonseca

Fotos: Fernando Neves Zoom

 

O convidado especial do

Sarau Plural 50,

quarta-feira, 29/05/15,

foi o jornalista e poeta

Marcelo Pereira.  

Aí vai uma degustação de sua poesia:

 

   Allegro flutuante

 

 Marcelo Pereira

 Só o músico com seu violino florido

descobriu a melodia que embala

o silêncio desta paisagem

 

Só o músico com seu violino florido

sabe tecer variações para um rio

adormecido – Capibaribe

 

Somente ele lê a partitura dos sonhos

das águas e do vento

 

O músico, seu violino florido e nada mais

Ao longe a melodia

de um allegro

                      flutuante

                                   entardecido

            

 

As voltas que a bola dá

28 de Abril de 2015 às 08:17
Homero Fonseca

 Já me sinto meio campeão pernambucano de 2015: primeiro, porque, como finalista, o Santinha é no mínimo vice. Segundo, porque a desclassificação ontem do Sport pelo Salgueiro me valeu meio campeonato. Desculpem os meus amigos (e parentes) rubro-negros: mas aqueles closes de olhos lacrimejantes, choro engolido e frustração explícita mostrados pela tevê valeram por uma taça. Ver a torcida mais arrogante do futebol brasileiro se descabelar, acusar o técnico pela derrota e amaldiçoar o próprio time (rubro-negro não sabe perder) não tem preço.

Como dizem os narradores esportivos, em sua maioria propensos ao uso de clichês, o futebol é uma caixinha de surpresa. No começo do campeonato, o quadro era o seguinte: o Náutico continuava desconchavado desde a temporada passada; a equipe do  Santa foi literalmente desconstruída (dos titulares só sobraram Tiago Costa e Bileu), contratou-se um monte de desconhecidos e entregaram-nos nas mãos relativamente inexperientes de Ricardinho; o Salgueiro e o Central, corriam por fora e nem entravam nas previsões. E o Sport? Manteve o técnico e a base do time campeão do ano passado, ao qual se agregaram alguns atletas de valor, como Diego Souza. Era favorito absoluto até para os mais fanáticos adversários (se bem que eles não admitiam publicamente, como qualquer torcedor fundamentalista).

Antes de a bola rolar, cheguei a pensar com meus botões no sacrilégio: pra que se gastar tempo, dinheiro e emoção numa competição cujo vencedor já se sabe? Melhor cancelar a tabela e entregar logo a taça ao Sport.

Bem, outro clichê esportivo diz que futebol não tem lógica. É uma meia verdade. Como é um jogo, os resultados estão sujeitos a uma infinidade de combinações e vem justamente daí sua força e seu encanto. Mas existe uma lógica, sim, contrariada de vez em quando pela lei da incerteza: a possibilidade de vitória é muito maior para uma equipe bem estrutura, financeiramente equilibrada, alicerçada na tradição, reforçada pela autoestima e apoiada por uma torcida expressiva. Por isso existem favoritos.

Então, no correr do campeonato, o Náutico patinou e rolou precocemente pelas ribanceiras da desclassificação; o Santinha, com as evidentes limitações do elenco recém-contratado (onde não desponta um único craque), conseguiu se aprumar razoavelmente nas últimas seis rodadas; Salgueiro e Central, especialmente o primeiro, mostraram-se times coesos e aguerridos e chegaram às semifinais; e essa movimentação coincidiu com uma inacreditável queda de rendimento do Sport, talvez explicada pela soberba e excesso de confiança.

E aí as combinações de tudo isso e outros fatores mais, que me escapam ou seria extenso demais analisá-los, deu na mais inesperada final de campeonato neste ano da graça de 2015. Pela primeira vez, um time do Sertão nas finais. Antes, do interior, apenas o Porto foi vice-campeão (1997-1998) e o Central (2007). 

E digo de coração aberto: o Salgueiro é favorito ao título, pelo retrospecto de sua campanha, de uma regularidade impressionante. Claro que vou torcer como sempre pelo Santinha, cujas chances repousam justamente na linha ascensional de seu desempenho. Mas se der Salgueiro não será qualquer desonra à luz do desenrolar da competição. Ruim mesmo é dormir campeão e acordar desclassificado.

Uma curiosidade, como bônus: em 1932 o Santa Cruz foi campeão invicto e o vice foi... o Íbis.

 

 

 

O grande retrocesso

23 de Abril de 2015 às 11:22
Homero Fonseca

Zoom
O Globo, coerência comprovada: em 1962, contra o 13º salário; agora, a favor da terceirização total

          Está em vias de ser perpetrado o maior golpe contra as conquistas e direitos dos trabalhadores brasileiros em todos os tempos: a aprovação (praticamente concluída na Câmara dos Deputados) do projeto de lei liberando geral a terceirização da força de trabalho. Os empresários (e seus porta-vozes de sempre) comemoram vigorosamente a iniciativa, as lideranças dos trabalhadores denunciam-na timidamente.  Não sei como estão os arautos da inexistência da luta de classes, mas não é difícil imaginar.

            O deputado petista e ex-dirigente sindical Vicentinho declarou que o projeto “é um verdadeiro retrocesso, pois precariza direitos trabalhistas, reduz salários e, na prática, sepulta a CLT. Os trabalhadores terceirizados estão sob condição precária. Se comparados aos não terceirizados, recebem salário em média 27,1% menor, segundo o Dieese. Têm menos proteção social e são as maiores vítimas de acidentes e mortes no local de trabalho”.

            Já o jornal O GLOBO (que em 1962 abriu manchete considerando catastrófica “para o País” a criação do 13º salário), em recente editorial, afirma que a “esclerosada legislação trabalhista brasileira”, “herança varguista representada pela CLT, sofre a erosão do tempo”, vocaliza os argumentos patronais - “busca incessante da eficiência (mais qualidade e menores custos)" – e festeja por antecipação a eminente vitória do patronato, proclamando sem esconder a mistura de euforia com arrogância: “Não há sindicato que possa barrar esse processo.”

 Trata-se do maior retrocesso em relação aos direitos trabalhistas no Brasil, em vigor há 72 anos a serem completados neste 1º de maio, retrocesso que nem o regime militar, em mais de duas décadas de poder, ousou executar. Antigo sonho do patronato brasileiro, o PL 4.330/04 dormia há mais de 10 anos numa gaveta da burocracia da Câmara (sem que ninguém se atrevesse a colocá-lo seriamente em tramitação), quando Eduardo Cunha, numa jogada de extremo oportunismo político, aproveitando a tremenda fragilidade do governo e a incapacidade de mobilização do sindicalismo, colocou-o em votação. É golpe mortal na CLT - a legislação posta em vigor por Getúlio Vargas, efetivando direitos e garantias ao trabalhador brasileiro. O patronato tupiniquim, por essa e outras, nunca engoliu Vargas, utilizando o pretexto da corrupção (o “mar de lama”) para tentar derrubá-lo em 1954 com o apoio estridente da grande imprensa (qualquer coincidência...), somente não o conseguindo graças ao suicídio do presidente, que, provocando grande comoção popular, frustrou os planos dos seus opositores, adiando o golpe por 10 anos. Tudo isso é sabido, estou apenas tentando juntar as pontas dos dois acontecimentos (1954-2015, passando por 1964).

 O projeto ainda será votado no Senado e, depois, submetido à sanção da presidente, que poderá vetá-lo ou não. Sinceramente, não sei o que acontecerá nessas duas instâncias, mantidas a inanição do governo e a inércia do movimento sindical. A mídia, convenientemente, tem tratado o assunto como pouco mais que a votação de um título de cidadão honorário pela Câmara de Vereadores de Caixa Prego.

   Antes que digam que exagero ou que estou movido por anacrônicas ideologias, trago à tona um documento assinado por 19 dos 27 ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), encaminhado em 27 de agosto passado à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Depoimentos, posicionando-se de forma clara e rotunda contra a aprovação do projeto, classificado como promotor de uma “política trabalhista extremada”, “aprofundando, generalizando e descontrolando”  a terceirização da força do trabalho. Suas excelências, com base na “experiência de várias décadas na análise de milhares de processos relativos à terceirização trabalhista”, preveem um quadro dramático caso a nova legislação entre em vigor:

- Migração forçada de milhões de trabalhadores para as terceirizadas.

- Fim das atuais categorias profissionais: não haverá mais metalúrgicos, bancários, comerciários, mas apenas tomadores de serviço.

- Impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais.

- Redução inapelável da renda de milhões de famílias.

- Gravíssima lesão de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

- Dramático, profundo e rápido rebaixamento do valor social do trabalho, por conta dos salários menores pagos pelas terceirizadas.

 - A diminuição da massa salarial afetará fortemente, de maneira negativa, o mercado interno de trabalho e de consumo.

- Por consequência, queda da arrecadação fiscal e tributária, constituindo severo problema para o estado brasileiro.

- Sobrecarga no SUS (nas terceirizadas é bem maior o número de acidentes do trabalho).

- Aumento das doenças ocupacionais.

 Todos os adjetivos (“gravíssimas lesões”, “dramático, profundo e rápido” rebaixamento salarial etc.) estão no documento, cuja íntegra pode ser encontrada neste endereço, de onde captei a maior parte das informações:

http://www.viomundo.com.br/denuncias/ministros-do-tst-sao-unanimes-pl-4-330-provocara-gravissima-lesao-social-de-direitos-trabalhistas.html

 Um internauta, Fábio de Oliveira Ribeiro, comentou que essa brutal investida contra os direitos dos trabalhadores está nas mãos de “um Parlamento terceirizado às empresas por causa do financiamento privado de campanhas eleitorais”.

 Um dos pontos considerados mais polêmicos da iniciativa – que conta com o apoio maciço dos partidos conservadores, inclusive alguns que integram a base do governo (DEM, PSDB, PP, PMDB, a maior parte do PSB e, quem te viu quem te vê, do PPS) é a sindicalização dos contratados pela empresa de terceirização, somente permitida quando o contrato de terceirização for entre empresas da mesma categoria econômica.

Adeus, sindicatos.

 

 

 

 

 

 

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