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07/11/2009 - 09h22

A Incrível Armada de Brancaleone

Fotografia ilustrativa

Navios em Gibraltar, Espanha: a guerra tinha terminado

Envolvimento brasileiro no tiroteio mundial de 1914-1918, aliás, deu-se de forma parecida ao que ocorreria uma geração depois: tendo quatro navios mercantes brasileiros sido afundados por submarinos alemães – para impedir o abastecimento de nações inimigas, deles, alemães – gerou-se uma comoção nacional e o Brasil declarou guerra à Alemanha em outubro de 1917.

Comparativamente às grandes potências envolvidas, as forças armadas brasileiras estavam desaparelhadas. Mandou-se, então, para o “front” uma missão médica, um contingente de aviadores da Marinha e do Exército para se integrar à Força Aérea Britânica e uma Divisão Naval de Operações de Guerra, composta pelos cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia, contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, o cruzador-auxilar Belmonte e o rebocador Laurindo Pitta. que somente seis meses depois zarpou para o chamado teatro de guerra.

Eis a deliciosa narrativa de Abdias Moura das inusitadas peripécias dessa expedição:

“Esse corpo de guerra naval, baseado no Rio de Janeiro, deu início a uma longa e conturbada viagem para Gibraltar, em maio de 1918, devendo ali ficar subordinado ao Almirantado britânico. Antes de atravessar o Atlântico, porém, demorou em escalas nos portos de Salvador, Recife, Natal e Fernando de Noronha, de onde os barcos seguiram em direção à África somente em 1º de agosto.

Segundo o historiador Francisco Eduardo Alves de Almeida, instrutor da Escola de Guerra Naval, em artigo para a Revista de História, da Biblioteca Nacional (outubro de 2008), a Divisão foi atacada na costa ocidental da África, por volta das 20h15 do dia 25 de agosto, quando se dirigia de Free Town para Dakar. Teria sido o seu 'batismo de fogo', mas nenhum dos barcos brasileiros foi atingido, nem houve certeza da destruição do submergível alemão que teria lançado o artefato de guerra. Há espíritos críticos que dizem ter sido confundido um cardume com o pretenso submarino. Adler Homero Fonseca de Castro, ao detalhar o acontecimento, admite que 'um cardume foi confundido com o rastro de um periscópio, fazendo com que o “Bahia” disparasse seus canhões contra os peixes'.

Quando a Divisão Naval brasileira chegou a Dakar, sofreu um ataque devastador: não de artefatos bélicos, mas de vírus da chamada gripe espanhola, que atingiu quase 95% de seus 1.500 tripulantes. Em dois meses, morreram 109 expedicionários, enquanto 140 doentes foram mandados de volta ao Brasil.

O destino seguinte da nossa improvisada força naval era o Estreito de Gibraltar. A essa altura dos acontecimentos, restavam em condições de navegação um cruzador e três contratorpedeiros, que ali deveriam encontrar um couraçado inglês. Este, porém, não esperou os navios brasileiros, que vinham com muito atraso. Seguindo sozinha pelo Mediterrâneo, a belonave britânica foi posta a pique por um submarino alemão.

A nossa Divisão Naval chegou às costas da Espanha em 10 de novembro de 1918, um dia antes do Armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial.”

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