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<title>Blog de Homero Fonseca | InterBlogs</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca</link>
<description>Blog de Homero Fonseca</description>
<language>pt</language>
<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 09:40:02 -0200</pubDate>

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<title>Crônica de uma crise desejada</title>
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<description>Como leigo, comecei a perceber alguma coisa errada no noticiário e nos comentários sobre a crise econômica mundial, a partir de setembro passado. Foram quatro meses de um show de pessimismo, com Cassandras histéricas, travestidas de especialistas, agourando o fim do mundo. Após dois meses de intenso bombardeio de previsões catastróficas, eu constatava que as coisas corriam normalmente: as pessoas trabalhando, as empresas funcionando, o governo governando... Claro que eu sabia a profundidade do impacto nos EUA e que, no mundo globalizado e regido, em boa parte, pelo tal mercado financeiro (essa jogatina descolada da economia real), nenhum país pode estar totalmente imune aos efeitos da bancarrota ianque. Mas o quadro que se pintava, a julgar pelos prognósticos, era de hordas de desempregados nas ruas, multidões de famintos saqueando as cidades, empresas quebrando em efeito dominó, o consumo cessando e as poupanças virando pó. Ocorre que, além da ironia de a meca do capitalismo neoliberal ter de lançar mão da ajuda estatal para salvar grupos privados (alguns ortodoxos acusaram Bush de socialista!) , não somos mais aquela república bananeira dependente que caía com pneumonia apenas uma gripezinha assolasse os EUA. Veja o que disse o consultor Francisco Cunha, da TGI, no Jornal do Commercio do Recife (12/12/2008): Isso (a crise) afeta o Brasil num momento em que o País está mais preparado do que nunca para enfrentar a situação, porque já tem 20 anos de regime democrático sob a nova Constituição, 15 anos de estabilização macroeconômica, 10 anos de políticas sociais compensatórias continuadas e cinco anos de crescimento contínuo médio de 4,5% ao ano. Tudo isso faz com que o Brasil esteja relativamente blindado contra a crise. Numa conjuntura como essa é evidente que ninguém escapa incólume. Ela vai afetar o crescimento mundial, que nos últimos anos foi o maior desde a Segunda Guerra e fez o preço das commodities (matérias-primas) subir. Com isso, o Brasil praticamente zerou seu déficit, zerou sua dívida externa e fez um montante de reservas próximo de US$ 200 bilhões, o que permite ao País enfrentar esse período de turbulência. Agora, a gritaria Lá vem a crise, lá vem a crise! já deve ter produzido seus efeitos perversos, fazendo o consumidor se retrair (e, antes dele, as próprias indústrias curiosamente se anteciparam, reduzindo a oferta). O sociólogo americano Robert Merton descreveu o fenômeno chamado profecia auto-realizável, que em suma é o seguinte: se todo mundo fica dizendo que o bicho vai pegar, o bicho terminará pegando mesmo. Muitos que apregoaram um impacto exagerado da séria crise sobre nós o fizeram por ignorância, por desconhecer que a estrutura de crédito americana é essencialmente diferente da nossa etc, apenas repetindo, como bons macaquitos, os ecos apocalípticos do Império. Outros, suspeito eu, o fizeram (e fazem) com conhecimento de causa, querendo ver o barco afundar de olho nas próximas eleições presidenciais. Esse pessoal não liga a mínima que o povão se lasque, desde que o poder troque de mãos. Isso é um crime de lesa-pátria.</description>
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<pubDate>Fri, 02 Jan 2009 13:07:00 -0200</pubDate>
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<title>Poesia e sacanagem também rimam</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=8019955</link>
<description>Em bela edição fac-similar, capa dura, organizada pelo professor e poeta Carlos Newton Junior, a Fundação Capitania das Artes, de Natal, lançou Uns Fesceninos, antologia de poemas sacanas originalmente produzida pelo bibliófilo Oswaldo Lamartine de Faria, em 1970. Todos os poetas são potiguares. Como sói acontecer com as coletâneas, a qualidade varia, mas em geral o nível é muito bom, sejam os poemas mais refinados ou grosseiros como é comum nesse gênero. Pinço dois exemplos dos primeiros, verdadeiras pérolas. Vejam que beleza esses versos do poeta José Leiros ou Zeca Galo, autodidata, nascido em 1908:</description>
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<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 02:38:00 -0200</pubDate>
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<title>Para ouvir música erudita</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=8010309</link>
<description>Para ouvir música erudita</description>
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<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 19:26:00 -0200</pubDate>
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<title>Conversações em Natal 4  Cristóvão Tezza e futebol</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7979813</link>
<description>Creio que um sintoma bem claro da alienação nacional é o fato de um fenômeno como o futebol ser relativamente tão pouco trabalhado nas artes em geral. Aliás, o assunto foi tema de ampla reportagem que editei na revista Continente, há alguns anos (Nº 17 - Maio/2002).  Claro que há uma outra citação, como o romance Água Mãe, de Zé Lins do Rego, que tem um personagem que antecipa um episódio marcante da carreira da Amarildo (Seleção de 62, substituto de Pelé, que se contundiu no segundo jogo da Copa do Chile), algumas peças de Nelson Rodrigues e poemas de João Cabral. Ou uns poucos quadros dos modernistas, um ou outro sambinha. Na academia, até recentemente (de uns anos pra cá a situação melhorou), pouco havia de estudo sobre futebol e o grande marco ensaístico (e fora da academia) permanecia o interessantíssimo O negro no futebol brasileiro, do Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues e nome do Maracanã.</description>
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<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 12:58:00 -0200</pubDate>
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<title>A voz do dono</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7967959</link>
<description>Somente hoje, surfando no mundo virtual, me dei conta de que um certo Brasileirinho - que creio ser o jornalista gaúcho Fábio Gomes - colocou na internet a performance do locutor que vos fala no chamado Teatro do Texto, na última Feira do Livro de Porto Alegre. Para uma platéia pequena porém atenta, li um trecho do primeiro capítulo do romance &quot;Roliúde&quot;, explicando não ser ator, mas ter sido devidamente treinado pelo escritor e dramaturgo Ronaldo Correia de Brito. A gravação da &quot;leitura dramática&quot; está neste endereço: &lt;b&gt;(Clique no título)&lt;/b&gt;</description>
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<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 21:45:00 -0200</pubDate>
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<title>Conversações em Natal 3  Uma tarde no Kritérion</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7956553</link>
<description>Uma tarde inteira no Bar e Sebo Kritérion, um dos lugares mais agradáveis de Natal, dentro do Mercado Público de Petrópolis, capitaneado pelo poeta Jairo Lima  sábado, 29 de novembro. Estreita, com indispensável ar condicionado, é um espaço de convivência, a começar pela comprida e única mesa central, onde aos sábados é servida uma feijoada honesta, acompanhada por cachaça, uísque ou cerveja. No dia em que estive, com Iracema, dando uma fugida do III ENE  Encontro Natalense de Escritores, a conversa rolou fluida, na voz do próprio Jairo, do jornalista Alex de Souza e dos amigos Chico Guedes, Lívio Oliveira e Alciléa, Laurence Bittencourt, Charles Phelan, Homero Cunha, Lúcia e Yerma. Foi o tipo de papo que me faz sair de casa: inteligente, sem pompa, diversificado, democrático. Naquela tarde memorável, aprendi com Jairo porque, nos séculos 18 e 19, a música da Alemanha e da Itália superou a da França e da Inglaterra. Constatamos o impasse da música erudita contemporânea e chegamos a um consenso de que o jazz (segundo Jairo, tirando a bateria, ou seja, diminuindo a importância do ritmo vis-à-vis a melodia e a harmonia) é a música erudita por excelência do século 20. Concordamos quanto à brasilidade de Machado de Assis, procuramos entender porque, como a música contemporânea, as artes plásticas se distanciaram tanto do público (a arte está sempre à frente do gosto médio, do senso comum, mas, às vezes, excessos vanguardistas e outros fatores, aumentam essa distância a ponto de os artistas perderem de vista o mundo onde vivem etc) e espinaframos a literatura autista, aquela feita por autores ao redor de seus umbigos, totalmente deslocada da sociedade (não se trata de crítica sociológica da literatura, mas a quem interessa esses EUs confusos e narcísicos que pululam em nossa ficção atual?). Eu, particularmente, acho que o povo brasileiro, em linhas gerais, é personagem invisível em nossas letras, com raríssimas exceções, como Luiz Ruffato, em cujos romances encontramos a manicure, o bodegueiro, o imigrante pobre, a putinha, o sem-terra, o cobrador de ônibus, o crente, o moleque jogando bola no terreno baldio. E isso com alto teor estético, em linguagem experimental (até um pouco excessivamente), com ritmo e abertura para a imaginação do leitor. O papo se estendeu por mais de seis horas, alimentado pela erudição franciscana de Jairo, pela verve de Alex de Souza, pelas aventuras húngaras de Chico Guedes, os questionamentos de Laurence, o conhecimento jazzístico e cinematográfico de Lívio. Já estamos com saudades de Natal, onde, também no que diz respeito ao ENE, tivemos uma recepção maravilhosa da turma da Capitania das Artes, à frente Dácio Galvão. Até breve, natalenses e, em especial, kriterienses!</description>
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<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 14:31:00 -0200</pubDate>
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<title>Deu no Nordestweb</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7953629</link>
<description>O site Nordesteweb, que, sendo voltado para as coisas da região nada tem de provinciano, abriu generoso espaço para uma entrevista que concedi em Porto Alegre, durante a última Feira do Livro de POA. Como toco em alguns temas que gostaria de compartilhar com todos, faço o registro. Diz a matéria de Romildo Gouveia, poeta pernambucano radicado em Curitiba, produtor do site:</description>
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<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 11:58:00 -0200</pubDate>
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<title>Conversações em Natal 2  Jornalistas x Escritores</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7945823</link>
<description>No III ENE  Encontro Natalense de Escritores, promovido, em fins de novembro,  pela Fundação Capitania das Artes, participei  de uma mesa com João Gabriel de Lima, romancista e editor da Bravo!, e Moacir Amâncio, jornalista e poeta, mediada pelo endiabrado jornalista potiguar Alex de Souza. O tema seria Jornalismo literário, mas, constatado que todos à mesa eram clones de si mesmo, atuando simultaneamente como jornalistas e escritores , desviamos a conversa para as diferenças e similitudes dos dois ofícios e vantagens e desvantagens das relações entre um e outro (que nos desculpem a grande escritora e jornalista espanhola Rosa Montero, autora do sensacional A Louca da Casa que, enjoada de tanto responder sobre o tema, sofre de urticária quando o mencionam).  Todos concordamos que um ofício ajuda ao outro, afinal ambos têm como instrumento a palavra. O problema é saber diferenciar a postura, coisa que muito jornalista tem grande dificuldade em acertar. Considero que tanto jornalistas quanto escritores fazem um PACTO com o leitor. A diferença é que o jornalismo exige o Pacto da Verdade enquanto a ficção é regida pelo Pacto da Mentira (e aqui não quero entrar na discussão metafísica, estéril e desviante do que é ficção e do que é realidade  basta ficar na frente de um trem em movimento para saber).  O leitor de jornal supõe estar comprando a verdade. Daí o compromisso do texto jornalístico com a informação correta, transmitida de forma clara, objetiva e direta. Em outras palavras, é servido o prato-feito ao leitor. Já texto literário faz uso da ambigüidade, da subjetividade, da elipse, tornando o leitor co-participante da obra, ao preencher com sua imaginação as lacunas propositais do autor. Por isso, a linguagem jornalística é meio redundante enquanto a linguagem literária é tão mais eficaz quanto for criativa, pessoal, única. Agora, o jornalismo pode se apropriar de alguns recursos da literatura, sem abrir mão da objetividade. Ou seja, a literatura pode emprestar ao jornalismo recursos de linguagens que enriquecem o texto. Isso em qualquer editoria: cultura, economia, política, polícia, cidades. Já a prática jornalística, empurrando o bom jornalista para o miolo da vida, contribui com a literatura quando facilita uma percepção mais apurada da realidade.  No texto ficcional, entretanto, essa apuração do real não deve transparecer, mas apenas servir ao propósito de verossimilhança: o leitor sabe que tudo ali é mentira, mas que deve ser dita como verdade, ou seja, que o convença da possibilidade de  que se não existia, poderia ter existido. É o único compromisso da ficção: sua coerência interna, sua verdade-em-si. É o que penso.</description>
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<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 10:18:00 -0200</pubDate>
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<title>Conversações em Natal 1 - Menescal</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7935512</link>
<description>Ao regressar de rápida viagem a Natal, aonde fui convidado do III Encontro Natalense de Escritores, dividimos por sorte o transporte que nos levava do hotel ao aeroporto com Roberto Menescal e o professor Carlos Newton Jr. Carlos Newton, poeta e ensaísta pernambucano, estudioso da obra de Ariano Suassuna, já era nosso amigo. Menescal, que também tinha ido ao ENE para participar de uma mesa sobre a bossa-nova, da qual ele é um dos papas incontestáveis, foi simpatia à primeira vista. No curto tempo do percurso, conversamos sobre música, internet e direitos autorais, e indaguei sobre o papel do violonista pernambucano Normando Santos nos primórdios da bossa nova, curioso pelo fato de ele ser tão pouco citado nessa efeméride toda que assinala os 50 anos do gênero musical brasileiro. Menescal é amigo de Normando e ratificou a presença dele naquele momento mas lembrou que, ainda muito no início do movimento, Normando se mandou para Paris, onde viveu nos últimos 50 anos, somente agora retornando ao Brasil. Isso explicaria a pouca referência ao pernambucano. Na conversa, perguntei ainda ao autor de &quot;O barquinho&quot; se ele conhecia o trabalho de Spok e sua orquestra, responsáveis pela maior revolução já feita no frevo. Menescal disse que o conheceu no recente Festival de Inverno de Garanhuns e mostrou o braço com os pêlos arrepiados: &quot;Uma maravilha!&quot; E mais não disse, nem lhe foi perguntado, até porque cada qual foi pegar seu vôo de volta para casa. (Postarei em breve vários comentários e informações sobre o III ENE em Natal e uma tarde prazeirosíssima no Kritérion Sebo Bar, do amigo Jairo Lima.)</description>
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<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 20:21:00 -0200</pubDate>
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<title>Manoel de Barros, Antonio Vieira e masturbação</title>
<link>http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/post.kmf?cod=7922708</link>
<description>Tenho visto entrevistas e debates na TV paga do mais alto nível, embora a maioria da programação seja muito ruim.  Inclusive temos programas de literatura, até uma década atrás praticamente inexistentes nesse meio,  como os apresentados por Edney Silvestre, Maurício Melo Junior, Paula Picarelli, Klaufe Rodrigues e tantos outros (aqui no Recife o de Cristiano Ramos na TV Universitária e em Porto Alegre o de Katia Suman). </description>
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<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 14:19:00 -0200</pubDate>
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