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João Ricardo Oliveira traz Roliúde para curta temporada no Teatro Apolo.
Com a boa repercussão do romance Roliúde, escrito por Homero Fonseca, não demorou para que os leitores entrassem no universo do personagem Bibiu e imaginassem a adaptação do livro para as salas de cinema.
Algo que já começou a ser feito, com a elaboração do roteiro feito pelo cineasta Wilson Freire, com colaboração do próprio autor da história. Mas antes, por um acaso que persegue os caminhos improváveis da arte, a obra caiu nas mãos do ator João Ricardo Oliveira e lhe despertou a vontade de levar aos palcos os causos vividos e contados por Bibiu.
Depois de uma temporada no Teatro Vanucci e no Centro Cultural da Justiça Federal no Rio de Janeiro, o espetáculo chega ao Teatro Apolo, no Recife, como parte da programação do festival A Letra e a Voz. "Estava vendo o que havia de interessante numa livraria e o título me chamou atenção. Depois, a capa, a sinopse. Comprei o livro e sentei em uma praça para ler. Ali mesmo, lá pela página vinte, já havia decidido transpor oromance para o palco", recorda Oliveira. "Por causa da leitura, perdi a hora da sessão de cinema. Literalmente troquei Hollywood por Roliúde", brinca ele.
Com a ideia em mente, João Ricardo procurou Homero Fonseca para obter os direitos de adaptação. Numa das conversas, ouviu a preocupação do escritor com relação ao sotaque do personagem, para que não assumisse o tom estereotipado que os nordestinos assumem nas telenovelas. "Estudei o sotaque, a forma de falar, a nasalidade das palavras, o vocabulário. Foi interessante aprender que os sotaques são diferentes.
O pernambucano não fala como o cearense, que não fala como o alagoano, que não fala como o baiano. Para a televisão, todo nordestino fala com sotaque baiano", revela o ator.
Um cuidado que ele também precisou tomar para não se perder na veia oral em que o livro é construído. "No teatro, precisamos minimizar a importância da palavra e assimilar outras ferramentas para estabelecer a comunicação, como a expressão corporal, a expressão facial, a mímica, a onomatopeia. Às vezes uma simples respiração ou pausa transmite toda uma ideia", conta.
A exemplo do romance, o espetáculo mescla as confusões em que Bibiu se mete com as versões dos clássicos.
"O que fiz, então, foi inserir, nas histórias vividas por Bibiu, personagens clássicos do cinema. Além disso, incluí um filme em um momento decisivo na vida de Bibiu, costurando as histórias das telas com a vida do personagem", adianta.
Quanto ao formato, a peça pega carona na simplicidade de Bibiu de se valer apenas do gogó para ganhar a vida, contando suas versões de clássicos do cinema.
"A peça é um monólogo, uso apenas um banquinho. Artista de rua como Bibiu só podem contar consigo mesmo.
Não usa elementos cênicos, objetos, troca de figurino, cenários. Sua matéria-prima é a imaginação", explica João Ricardo Oliveira.
"Usar projeções resultaria num espetáculo talvez até mais bonito, mas longe das origens, infiel à proposta original", completa.
Serviço
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Recife Antigo)
Quando: Hoje e amanhã, às 20h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Informações: 3355-3318