Foto: Ana Fonseca
  • DataPernambuco, 29 de Setembro de 2016
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O virtuoso Oanã e a mimosa Acácia

21 de Setembro de 2016 às 16:04
Homero Fonseca

Foto Flávia Gomes/Reprodução Revista Continente Zoom
Hylda Torres interpretando Soledad Barrett

 

O maravilhoso texto A história do virtuoso Oanã e da mimosa Acácia, de Iracema Rodrigues, parece que vai mesmo ser encenado.

Presenciei ontem o encontro da autora com a linda, competente e engajada atriz Hylda Torres, que lhe disse do desejo de levar o cordel-musical aos palcos, juntamente com Adriano Cabral.

A peça inclusive já tem músicas de Marco Polo e Geraldo Maia.


Vi brilho no olho de Hylda.

Zoom
A autora, Iracema Rodrigues, e a capa do livro

 

Boato, convicção e prova

21 de Setembro de 2016 às 13:52
Homero Fonseca

Reprodução/TV Globo/Fantástico Zoom

 É sempre bom lembrar: boatos podem formar convicção, mas não provam nada.Digo isso porque, com a morte do ator Domingos Montagner, surgiu uma  boataria danada por aí. Destaco dois rumores:

 

1 – Ele e Camila Pitanga estavam tendo um caso. Mera ilação. É o tipo de boato que informa mais sobre quem o propaga do que sobre as vítimas. Freud explica: quanto mais insossa a vida sexual de alguém, mais propenso esse alguém é a espalhar boatos de natureza sexista.


2 – Camila, petista de carteirinha, teria empurrado Montagner na correnteza para que ele se afogasse e a comoção de sua morte abafasse na mídia a repercussão da denúncia contra Lula feita espetaculosamente em Curitiba. Bem, aí já é caso sério de psicopatologia. Chamem uma ambulância!

Resumindo: deixem em paz a linda Pitanga e a memória do coitado do Montagner.

As companhias de cada um

21 de Setembro de 2016 às 00:06
Homero Fonseca

Zoom
Suzana Vieira x Letícia Sabatela: prefiro Letícia

 

Nesse tempo presente em que as estradas se bifurcam e as pessoas se dividem, lembrei-me de um velho ditado: “dize-me com quem andas”... 

Eu não vou por esse caminho por onde marcham Alexandre Frota, Lobão, Suzana Vieira, Danilo Gentili. 
Prefiro ir caminhando e cantando com Chico Buarque, Letícia Sabatela, Kléber Mendonça Filho, Sônia Braga, Jorge Furtado, Wagner Moura, Aldir Blanc, Sílvio Tendler.
Naquela turma estão Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Alexandre Garcia, William Bonner?
Obrigado, me sinto melhor ao lado de Jânio de Freitas, Audálio Alves, Fernando Moraes e Sérgio Augusto.
Por ali vai caquético e babando Ferreira Gullar? 
Escolho seguir Augusto de Campos, Antonio Cândido, Raduan Nassar. E Miguel Nicolellis, Luiz Pinguelli Rosa, Dalmo Dallari, Wadih Damous. 
Entre seguir os passos de Ronaldo Fenômeno e nadar na raia de Joana Maranhão, não hesito.
Quem quiser que vá atrás de Jair Bolsonaro, de Janaína Paschoal, dos nostálgicos da ditadura militar, dos velhos corruptos sepulcralmente caiados de moralistas, dos conservadores mais obtusos, dos liberais equivocados, dos ex-esquerdistas arrependidos, das louras oxigenadas histéricas, dos velhotes de paletó e gravatá.
Eu, não.

Boa noite, Solidão

20 de Setembro de 2016 às 17:35
Homero Fonseca

Fomos ontem à exibição do belo documentário Boa noite, Solidão, último filme de Geneton Moraes Neto. Uma daquelas ideias luminosas do grande repórter falecido em 22 de agosto passado.

Nas cenas iniciais, numa narrativa em off mostrando imagens do Recife, terra natal do jornalista e cineasta, vista de um barco singrando o Capibaribe, o filme trata do retorno daqueles que um dia emigraram e do choque causado pelas mudanças que o tempo esculpe nas pessoas e nas cidades. Conforme assinalou com propriedade o professor Paulo Cunha, é o filme mais pessoal de Geneton, ele próprio um migrante.

Mas, passada a abertura e os créditos, num contraponto genial, revela-se a verdadeira pauta da reportagem: ao invés do migrante e seu retorno, os personagens são os que ficaram, aqueles que nunca puderam ou não quiseram ir embora: o que lhes passa pela cabeça, sobretudo a imagem do “outro”, da cidade grande nunca visitada.

São Paulo, Rio e Brasília são as referências. A cidade escolhida é Solidão, de menos de dois mil habitantes na zona urbana, encravada no coração do Sertão pernambucano, a cidade de nome mais sugestivo dentre todas. Também houve filmagens em Tabira e Afogados da Ingazeira.

 .A primeira imagem é aérea, mostrando a pouca altura o aglomerado urbano onde apenas se destaca a igrejinha de N.S. de Lourdes, azul e branca. (Estranhei que o barulho do helicóptero não houvesse chamado a atenção dos poucos habitantes na rua, à hora da filmagem. No final, vi que a tomada tinha sido feito por um drone. Viva a tecnologia!)

Agora não há mais narrativa em “off”: tudo é dito na voz dos moradores, homens e mulheres, jovens e velhos, alfabetizados e analfabetos, com os depoimentos registrado em legendas – numa lembrança misericordiosa do público deficiente auditivo (tenho um sobrinho nessa condição e sei o problema que ele enfrenta nos cinemas).

Numa pegada ao estilo do mestre Eduardo Coutinho, Geneton passa a palavra a personagens antológicos, os protagonistas do filme: o astrônomo amador que já viu as luas de Júpiter em seu pequeno telescópio; o engenheiro analfabeto que fabricou um automóvel, na verdade uma geringonça formada com peças de oito veículos diferentes, com a qual transporta água para localidades isoladas; o inventor de um ultraleve, maluco o suficiente para fazer um voo noturno devidamente documentado; os jovens de um grupo de xaxado, amantes da tradição porém conectados à internet; o locutor da rádio FM Linda Serra; a moça que tem duas irmãs morando em São Paulo, é fascinada pela cidade grande mas não se anima a enfrentá-la; o bairrista que não troca Solidão “por 10 São Paulos, 20 Rios de Janeiros, 300 Brasílias”; o mentiroso a contar a história do amigo que se perdeu num canavial em São Paulo e andou tanto que chegou à Bahia, numa perfeita encarnação do Chicó, de Ariano Suassuna.

Senti falta, num primeiro momento, de mais cenas mostrando como a cidadezinha “funciona” (há uma longa sequência da feira de artesanato provavelmente mais kitsch do mundo, mas não se mostram diversões noturnas, jovens nas lan houses, hábitos cotidianos).

Depois, compreendi que tudo estava nas falas, por isso se trata de um filme essencialmente falado, se é que me entendem. E é pelas falas que ficamos sabendo que há muito tempo Solidão não está só, conectada ao mundo primeiro pela televisão e depois pela internet, num fenômeno alastrado por todo o Sertão.

Todos têm níveis de informação variados sobre tudo que acontece no planeta ou além dele. E digerem essa sopa informativa no caldo de uma cultura local, apesar de tudo resistente, produzindo uma visão de mundo peculiar, expressa na linguagem cheia de verve, malícia e imagens inesperadas do sertanejo.

A sessão especial no Cinema do Museu, promovida pela Fundação Joaquim Nabuco e Centro Josué de Castro, como não podia deixar de ser, foi carregada de saudade e do reconhecimento das lições do grande repórter que nos deixou prematuramente, como salientaram na abertura os amigos e colegas de Geneton (no jornalismo, no cinema e na televisão), Paulo Cunha e Amin Steple.

Viva Geneton Moraes Neto!

 

Parábola do patrão e do empregado

17 de Setembro de 2016 às 22:58
Homero Fonseca

Ontem, encontrei um amigo que me contou um episódio verídico. O fato me lembrou uma parábola muito instrutiva.

Conta-lá-ei:

 

Era uma vez um empregado muito solícito com o patrão.

Terminava o expediente e, ao invés de ir pra casa, para a mulher e os filhos, ele acompanhava o patrão nas largas noites tropicais.

O patrão bebia um uísque. O empregado bebia outro.

O patrão se ria. O empregado também se ria.

O patrão se zangava com alguém? O empregado se enchia de ódio contra o tal.

O patrão se embriagava, o empregado desmaiava.

Toda a noite era a mesma toada. Eram a corda e caçamba. Com os empregados menores, o patrão era terrivelmente duro. Com esse empregado-acompanhante, falava que era um amigo.

Passaram-se dias, passaram-se semanas, meses. E até anos.

Um dia, patrão e empregado se desentenderam. Ninguém soube o motivo. Podia (bem podia) ser questão de dinheiro. Podia (dificilmente) ser questão de vaidade. Talvez o patrão houvesse pedido algo (como costumava fazer com tantos empregados menores) que mesmo aquele empregado tão solícito não poderia atender. O fato é que brigaram feio. Cada um foi pra seu lado.

Esquecido das mil e tantas noites em que concordava com tudo que o patrão dizia e fazia, o empregado deu pra falar mal do antigo chefe. Muito mal. Ameaçava contar mais. Sabia segredos.

Encontraram-se, no auge da falação do empregado, num estacionamento de um shopping. O patrão desceu a mão nas fuças do seu antigo fiel escudeiro.

Bem feito!

(O caso foi parar na justiça, com acusações de extorsão, agressão física etc..)

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