A segunda edição do Prêmio Cultura Viva foi lançada oficialmente durante um evento realizado quarta-feira no Santander Cultural, em Porto Alegre. Idealizado pelo Ministério da Cultura (MinC), com patrocínio da Petrobras e coordenação técnica do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), o prêmio tem como objetivo estimular e dar visibilidade a iniciativas culturais de todo o país. Esta 2ª edição enfatiza as articulações entre os campos da cultura, da educação e da comunidade, por meio de práticas culturais e educativas na e com a participação da comunidade.
A alta burocracia do Minc prestigiou em peso o lançamento - a começar do ministro Gilberto Gil. Numa coletiva improvisada após os discursos de praxe, ele enfatizou o papel das periferias no processo cultural ("o grande abastecimento cultural ainda é feito pelas periferias. O Brasil precisa ter orgulho da cultura que vem daí") e demarcou algumas iniciativas do Minc para o segundomandato Lula, como a atualização dos marcos legais na área dos direitos autorais, a formatação da rede de TV pública e a inclusão da cultura no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Gil também não escondeu a satisfação com a programação artística oferecida. Diversas iniciativas premiadas na primeira edição do prêmio apresentaram-se no átrio do Santander Cultural. Entre elas, o grupo Odomodê, que trabalha com os elementos africanos da cultura gaúcha - um aspecto em geral marginalizado nas representações identitárias do Rio Grande do Sul. Esse hibridismo sulista foi enfatizado na fala do ministro e na do secretário de programas e projetos culturais do Minc,
Célio Turino, que citou como exemplo o "Coral da Diáspora", formado por gaúchos descendentes de africanos e pomeranos (eslavo/germânico exilado na 2ª Guerra).
Mapear iniciativas do tipo é uma das funções do Cultura Viva. Em 2007, as inscrições estão abertas nas categorias Escola Pública de Ensino Médio, Fundação e Instituição Empresarial, Gestor Público, Grupo Informal, Organização da Sociedade Civil e Ponto de Cultura. Serão concedidos prêmios de R$ 30 mil (1º lugar), R$ 20 mil (2º lugar) e R$ 10 mil (3º lugar) para cada categoria. As 120 iniciativas melhor avaliadas receberão o Selo Prêmio Cultura Viva, como reconhecimento ao trabalho empreendido. Um representante de cada uma dessas iniciativas será convidado para participar do Encontro Nacional de Cultura, Educação e Cidadania/Teia 2007, promovido pelo Minc, com patrocínio da Petrobras.
O regulamento e a ficha de inscrição podem ser encontrados no site do Cultura Viva (
www.premioculturaviva.org.br), nos Pontos de Cultura e nas representações regionais do Minc. O período de inscrição vai até 25 de maio. Uma central de atendimento ao público (0800 707 9209) funciona de segunda a sexta, das 9h às 18h. Vale lembrar que na primeira edição cerca de 500 municípios apresentaram iniciativas. Grande parte das cidades do sul e sudeste - uma cifra justificada pelo coordenação do prêmio como decorrência do maior acesso às informações e maior concentração populacional. Ainda assim, todos os estados da federação marcaram presença.